Em um novo capítulo da crise política peruana, o Congresso do país aprovou nesta terça-feira (17) a destituição do presidente interino José Jerí. A decisão, tomada por 76 votos a favor em um julgamento político, superou a maioria de 58 necessária para a remoção do chefe de Estado.
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Jerí, que ocupava o cargo há apenas quatro meses, torna-se o sétimo presidente a ser removido do poder no Peru na última década e o mais breve da história recente. A vacância do cargo foi anunciada pelo chefe interino do Congresso, Fernando Rospigliosi, conforme informações da Agência France-Presse (AFP).
A saída de Jerí aprofunda a instabilidade institucional que o país enfrenta. Ele havia assumido a Presidência em outubro de 2025, sucedendo a ex-presidenta Dina Boluarte, que também foi destituída pelo parlamento. Boluarte, empossada em 2022, havia chegado ao poder após o impeachment e a prisão do então presidente Pedro Castillo.
Com a destituição, o parlamento peruano deverá eleger um novo chefe do Legislativo na quarta-feira (18). Enquanto isso, o cargo máximo do Executivo permanecerá vago. As eleições gerais estão marcadas para 12 de abril, e o novo presidente eleito tem posse prevista para 28 de julho.
Investigações em andamento
A decisão do Legislativo ocorre em meio a investigações do Ministério Público contra Jerí por dois casos de suposto tráfico de influência. O primeiro deles envolve um encontro reservado com um empresário chinês que mantém negócios com o governo peruano. Em fevereiro, uma segunda investigação foi aberta, desta vez relacionada a um possível envolvimento do político na contratação de mulheres para cargos no governo.
Em declaração a um canal de televisão no último domingo (15), Jerí negou as acusações. Desde as eleições de 2016, o Peru vive uma crise institucional marcada pela sucessão de presidentes, sendo que apenas um dos oito mandatários do período conseguiu completar o mandato.
