Dados da Equatorial Maranhão apontam 233 ocorrências no primeiro semestre deste ano, com Imperatriz registrando o maior número de consumidores sem energia. Estado ocupa a quarta posição no ranking nacional de focos de calor, segundo o Inpe.
O período de seca e estiagem no Maranhão trouxe consigo um alerta preocupante para a população e para o sistema de distribuição de energia elétrica. Dados da Equatorial Maranhão, compilados pelo Movimento VC+ Seguro, mostram que, de janeiro a junho de 2026, foram registradas 233 ocorrências na rede elétrica provocadas por queimadas e incêndios em vegetação. O número representa um aumento de 8,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando foram contabilizadas 214 ocorrências.
Os números acendem o sinal de alerta não apenas pelos danos à infraestrutura, mas principalmente pelos riscos à segurança da população, dos animais e de quem realiza a prática. Apesar de ainda ser utilizada por algumas pessoas para limpeza de terrenos e controle da vegetação, a queimada pode sair do controle rapidamente, especialmente em um cenário de altas temperaturas, baixa umidade do ar, ventos fortes e vegetação seca.
A capital, São Luís, lidera o ranking de municípios com maior número de ocorrências, com 58 registros e 2.868 clientes interrompidos. Em seguida aparecem São José de Ribamar, com 27 ocorrências (1.681 clientes afetados), e Imperatriz, com 24 registros. Apesar de figurar na terceira posição em número de ocorrências, Imperatriz foi a cidade com o maior número de consumidores impactados, totalizando 3.098 interrupções no fornecimento de energia. Santa Inês, Timon e Pinheiro também figuram na lista, com respectivamente 15, 9 e 6 ocorrências.
Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) reforçam a gravidade da situação. De janeiro a julho de 2026, o Maranhão registrou mais de 2,5 mil focos de calor, ocupando a quarta posição no ranking nacional, atrás apenas de Mato Grosso, Tocantins e Bahia. Os municípios com maior concentração de focos são Barra do Corda, Balsas, Fernando Falcão, Mirador e Alto Parnaíba. A tendência, segundo especialistas, é de intensificação entre os meses de agosto e outubro, período historicamente crítico para incêndios na região.
O Executivo de Segurança do Trabalho da Equatorial Maranhão, Gabriel Vieira, destaca que a orientação é evitar qualquer tipo de queima em áreas próximas à rede elétrica. Ele ressalta que, mesmo iniciada de forma controlada, uma queimada pode tomar grandes proporções em poucos minutos, comprometendo a segurança e o fornecimento de energia.
Além dos riscos imediatos à rede elétrica, as queimadas provocam impactos ambientais severos, com destruição da vegetação nativa, comprometimento da biodiversidade, mortes de animais silvestres e degradação do solo. A fumaça liberada também reduz a qualidade do ar, agravando problemas respiratórios, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Para prevenir acidentes, a Equatorial Maranhão reforça uma série de recomendações, entre elas: não queimar lixo perto de postes e da rede elétrica, não descartar cigarros ou fósforos acesos em áreas com vegetação, evitar fogueiras próximas a plantações, priorizar alternativas como a roçada manual ou mecânica e utilizar aceiros como barreiras preventivas. Em caso de incêndio nas proximidades da rede elétrica, a população deve acionar o Corpo de Bombeiros pelo número 193 e a Equatorial Maranhão pela Central de Atendimento 116.
As orientações integram o Movimento VC+ Seguro, uma campanha permanente da distribuidora que visa ampliar o acesso à informação e conscientizar a população para evitar acidentes com energia elétrica. Em agosto, as ações ganham reforço com a campanha nacional Agosto Vermelho, promovida pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), voltada à prevenção de acidentes envolvendo a rede elétrica.
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