Pesquisa indica alta real de 5,5% nas vendas ante 2025, com gasto médio por presente a R$ 201; cartão de crédito é a forma de pagamento preferida de 58,2% dos entrevistados
A expectativa para o Dia dos Pais, comemorado em 9 de agosto, é de aquecimento no comércio da capital maranhense. Pesquisa de Intenção de Consumo divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Maranhão (Fecomércio-MA) revela que 63,8% dos consumidores ludovicenses pretendem presentear na data. O contingente corresponde a 496,6 mil pessoas e deve injetar R$ 106,2 milhões na economia local.
O faturamento estimado representa crescimento nominal de 10,2% em relação ao ano passado. Descontada a inflação acumulada de 4,64% nos últimos 12 meses, medida pelo IPCA/IBGE, o avanço real das vendas é de 5,5%. A alta é puxada pelo aumento do ticket médio: o valor gasto por presente passou de R177paraR 201, um salto de 13,6%.
Dois fatores macroeconômicos sustentam a disposição para gastar mais, segundo o levantamento. As projeções de inflação para 2026 recuaram para 5,12%, e o mercado de trabalho nacional segue em melhora, com taxa de desemprego de 5,6% no trimestre encerrado em maio e ganho real de 4% na renda média do trabalhador. Por outro lado, o cenário ainda impõe freios: a Selic está em 14,25% ao ano e a informalidade no Maranhão atinge 57,6%, a maior do país, o que torna a renda mais instável e desprovida de benefícios como férias e 13º salário.
Apesar do endividamento elevado – 86% das famílias de São Luís possuem algum tipo de dívida, conforme a pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da própria Fecomércio-MA –, o estudo aponta maior organização financeira. O grupo de maior risco, sem condições de quitar débitos, caiu 14% no ano, sugerindo que o endividamento está sob gestão mais contida.
Nesse contexto, o cartão de crédito é a forma de pagamento preferida por 58,2% dos consumidores. Entre os que parcelam, a maioria opta por duas (28,8%) ou três vezes (22,7%). Dinheiro e Pix são escolhidos por 38,2% dos entrevistados, que preferem evitar juros.
Presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó avalia que o momento é favorável para o varejo. Para converter a intenção de compra em faturamento, ele recomenda ao empresário oferecer parcelamentos curtos sem juros e promoções de última hora, especialmente porque 22,2% dos consumidores ainda não decidiram o que comprar.
A cesta de presentes confirma a preferência por itens de menor risco financeiro. Vestuário e acessórios lideram com 43,9% das intenções, seguidos por calçados, cintos e bolsas (22,6%) e perfumaria e cosméticos (20,9%). Eletrônicos aparecem com apenas 4,7%, restritos a públicos de maior renda ou maior propensão a parcelamentos longos.
Os canais físicos seguem predominantes. Os shopping centers concentram 39,8% da preferência, as lojas da Rua Grande, 34,3%, e o comércio de bairro, 32%. Como apenas 2% dos consumidores saem de casa com a loja definida, fatores como promoções (70,7%) e preços atrativos (69,9%) são decisivos no ponto de venda. Os indecisos, que somam 22,2% do público, representam uma oportunidade extra de R$ 6,7 milhões em vendas, caso sejam atraídos por boas ofertas.
A celebração deve ocorrer majoritariamente em ambiente doméstico: 76,7% das famílias pretendem comemorar em casa ou na residência de parentes, o que beneficia supermercados, açougues, padarias e delivery. Restaurantes devem atender 20,1% dos consumidores.
O comércio eletrônico responde por 8,1% da preferência, atuando sobretudo como canal de comparação de preços, especialmente para roupas (76,8%), calçados (44,5%), passagens aéreas (23,4%), livros (22,8%), perfumes (22,6%) e eletrônicos.
A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 18 de julho, com 700 entrevistas presenciais nos principais pontos de fluxo comercial de São Luís. A amostra é representativa da população de 791.768 consumidores com 18 anos ou mais residentes no município, com margem de erro de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
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