Operação Arena cumpre 17 mandados em seis estados e atinge escritório de advocacia, casa de advogado e sede da PixBet
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (13) a Operação Arena, em ação conjunta com o Ministério Público Federal, a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, para desarticular um grupo empresarial suspeito de utilizar empresas de fachada e movimentações financeiras no exterior para ocultar a origem e o destino de valores obtidos com jogos de azar e apostas esportivas.
Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, autorizados pela 4ª Vara Federal da Paraíba, nos estados da Paraíba (João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca), São Paulo (capital), Rio de Janeiro (capital e Niterói), Sergipe (Aracaju) e Paraná (Curitiba). A operação também determinou a quebra dos sigilos bancário e telemático dos investigados, além do bloqueio e sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 1,1 bilhão.
Entre os alvos está o advogado Nelson Wilians, fundador de um dos maiores escritórios de advocacia do país. Agentes federais cumprem mandado de busca e apreensão na mansão do advogado em São Paulo. Sua esposa, a advogada Anne Wilians, sócia do escritório, também é citada como alvo da investigação. Em julho, Wilians já havia sido alvo de outra operação voltada a desarticular uma organização suspeita de comercializar créditos de ICMS fraudulentos.
A sede da empresa de apostas PixBet, em Campina Grande, também foi alvo dos mandados. A transação criminosa investigada envolve ainda a PixStar, empresa fantasma sediada na ilha de Curaçao, no Caribe. A PF detectou pagamentos entre as duas empresas. A casa de um homem apontado como “laranja” do grupo suspeito também foi alvo de buscas, conforme apurou a TV Cabo Branco.
Segundo a Receita Federal, as investigações tiveram início em 2022 para apurar a atuação de pessoas físicas e jurídicas de Campina Grande na comercialização de créditos de jogos online formalmente sediados no exterior e na manutenção de sites de apostas esportivas no Brasil. A estrutura teria sido montada para dar a aparência de que as atividades eram conduzidas fora do país, enquanto a gestão operacional, administrativa e as principais decisões ocorreriam, em tese, em território nacional.
Empresas registradas no exterior teriam sido usadas para justificar o envio de grandes volumes de recursos para outros países. Os elementos reunidos até o momento, porém, indicam que essas empresas não teriam atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados. As apurações apontam ainda para o uso de uma estrutura financeira complexa, com empresas brasileiras e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e outros mecanismos, com a suspeita de que esses recursos tenham sido utilizados para dificultar o rastreamento da origem e do destino do dinheiro.
A investigação também encontrou possíveis indícios de omissão de rendimentos e de uso de estruturas empresariais para reduzir ou evitar irregularmente a tributação sobre as atividades desenvolvidas. A Receita Federal afirma que, embora o mercado de apostas de quota fixa tenha passado recentemente por um processo de regulamentação no Brasil, há indícios de que atividades ligadas ao setor já eram realizadas antes das novas regras, empregando mecanismos para ocultar operações, receitas e os beneficiários finais dos recursos.
Os suspeitos podem responder pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro nacional. Os materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados serão analisados e poderão subsidiar novas medidas fiscais, como a cobrança de tributos eventualmente devidos e o compartilhamento de informações com os órgãos responsáveis.
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