Uma força-tarefa com mais de 600 pessoas, incluindo agentes de segurança e voluntários, segue na busca por Ágatha Isabelle, de 5 anos, e Allan Michel, de 4 anos, desaparecidos em Bacabal, no interior do Maranhão. Enquanto as buscas avançam por regiões de vegetação fechada e terrenos alagados, o governador Carlos Brandão divulgou, nesta terça-feira (13), que exames periciais descartaram a ocorrência de violência sexual contra o irmão deles, Anderson Kauã, de 8 anos, que foi encontrado e está internado.
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Kauã, que também estava no local do desaparecimento e é uma criança com transtorno do espectro autista (TEA), recebe acompanhamento multiprofissional. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Bacabal, seu estado de saúde é estável e a recuperação segue bem. Ele está sendo atendido por uma psicóloga.
A escuta especializada do menino, que ainda não foi realizada, será conduzida por uma equipe do Instituto de Perícia da Criança e do Adolescente (IPCA), seguindo determinação da promotora de Justiça da Infância e Juventude, Michele Dias, com base na Lei da Escuta Protegida. Quatro peritos do IPCA, incluindo psicólogo e assistente social, já estão no município. Eles iniciaram entrevistas com familiares e farão a oitiva de Kauã em momento considerado oportuno, utilizando técnicas para preservar seu bem-estar. As autoridades esperam que o depoimento possa trazer pistas sobre o desaparecimento.
Buscas em área inóspita
As operações de localização dos dois irmãos concentram-se em uma região de transição entre vegetação alta e baixa, descrita pelas autoridades como de difícil acesso, com espinhos, áreas alagadas, rios e lagos. O comandante da Polícia Militar do estado, coronel Wallace Amorim, classificou o local como uma “mata fechada” e “ambiente inóspito”, com muitas armadilhas, onde a visualização aérea é limitada.
Para otimizar as buscas, especialmente no período noturno, o Corpo de Bombeiros emprega drones equipados com câmera térmica, tecnologia que identifica seres vivos pela variação de temperatura. Militares da corporação avançam por terrenos considerados de alto risco.
A operação é coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-MA) e mobiliza policiais civis, policiais militares, bombeiros, Força Estadual, Centro Tático Aéreo, Perícia Oficial, Guarda Municipal, Defesa Civil de Bacabal e militares do Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro.
Angústia familiar e linhas de investigação
A família das crianças desaparecidas enfrenta a angústia da incerteza após dez dias sem novas pistas. A avó, Francisca Cardoso, relatou que a dor aumenta no fim da tarde, quando a esperança se mistura ao medo.
Segundo o delegado-adjunto de Apoio Operacional, Éderson Martins, a principal linha de investigação continua sendo o desaparecimento. No entanto, outras hipóteses não foram descartadas e permanecem sob análise da Polícia Civil, que segue com as investigações em andamento de forma integrada com as buscas.
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