Mostra “A Onda É o Caminho do Vento” reúne trabalhos inéditos das multiartistas Silvana Mendes e Tassila Custodes até o dia 22 de agosto no CCVM
O encontro entre duas trajetórias, duas poéticas e, acima de tudo, uma amizade. É esse o fio condutor da exposição “A Onda É o Caminho do Vento”, em cartaz no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), no Centro Histórico de São Luís. A mostra, que entra em sua reta final, pode ser visitada gratuitamente até o dia 22 de agosto, de terça a sábado, das 10h às 19h.
A exposição nasce de um convite do diretor do CCVM, Gabriel Gutierrez, à artista visual Silvana Mendes. Ao aceitar ocupar o espaço vazio do centro cultural, Silvana fez uma escolha que define o tom de toda a mostra: não viria sozinha. Chamou Tassila Custodes, amiga e artista cuja trajetória acompanha desde os primeiros passos na cena artística maranhense.
O resultado é uma instalação que transborda as linguagens tradicionais. Esculturas, lambe-lambe, pinturas e intervenções se espalham pelo ambiente, convidando o visitante a uma experiência imersiva. Curadora da exposição, Samantha Moreira destaca que a proposta sempre foi a de que os trabalhos se misturassem, em vez de ocupar espaços isolados. “Elas falam de coisas distintas, mas falam de coisas muito próximas também. Foi uma exposição que demorou a acontecer, mas que bonito que estamos aqui”, afirma.
A mostra está dividida em dois eixos curatoriais que, na prática, se comunicam o tempo todo. Silvana Mendes apresenta “O vento que reescreve o passado”, conjunto de obras que investiga questões raciais, territoriais e semióticas, ressignificando narrativas e símbolos. Já Tassila Custodes assina “Vira onda que encontra seu próprio mar”, mergulho em ancestralidades e espiritualidades que atravessam a paisagem maranhense. Ambas são indicadas ao Prêmio Pipa – Silvana em 2023 e 2025, Tassila em 2026 – e têm obras em acervos e publicações educativas no Brasil e no exterior.
Para Silvana, dividir o espaço com Tassila foi uma decisão consciente, enraizada na própria prática artística. “Quando Gabriel fez o convite e Samantha entrou no projeto, entendi que seria muito mais forte para mim, em termos de relação com a arte que eu faço, dividir esse lugar com uma pessoa que eu acredito muito, que eu confio e que é uma pessoa que eu acompanho desde o começo da carreira — como eu também fui acompanhada por outras pessoas no meu início — dentro desse espaço da coletividade da arte no Brasil”, conta.
Tassila recebeu o convite com alegria e viu na parceria uma oportunidade de traduzir em obra aquilo que a amizade já produzia no plano pessoal. “A gente começou a pensar nas nossas similaridades. Não só artísticas, mas também pessoais da nossa amizade. Entendo que a arte é coletiva, é ampla. Nesse processo, que falava tanto sobre sentimento, Silvana me trouxe pra trazer essa fluidez das amizades. Não só no discurso, mas na realidade da produção”, afirma.
A exposição também representa um movimento institucional de valorização da produção local. Gabriel Gutierrez ressalta que o CCVM foi concebido com a missão de promover a arte maranhense em suas múltiplas linguagens. “E que essa exposição seja um farol para que esse tipo de ação e essas artistas possam ganhar visibilidade, divulgar a sua obra e ocupar outros espaços dentro de outros centros distribuídos e localizados em outras regiões do país”, diz o diretor.
“A Onda É o Caminho do Vento” fica em cartaz até o próximo sábado, dia 22 de agosto. O Centro Cultural Vale Maranhão está localizado na Rua Direita, nº 149, no Centro Histórico de São Luís. A entrada é gratuita.
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