Em meio às celebrações do Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, especialistas em comportamento voltam a acender um alerta para um problema silencioso e persistente na sociedade: os relacionamentos abusivos. Muitas vezes mascarados por demonstrações distorcidas de cuidado e amor, comportamentos como ciúme excessivo, controle sobre amizades e limitação de escolhas podem ser os primeiros sinais de uma relação que coloca em risco a saúde mental e a integridade da mulher.
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A psicóloga Caroline Oliveira, especialista em análise do comportamento, destaca que é fundamental que as mulheres saibam identificar quando atitudes ultrapassam a barreira do cuidado genuíno. “É importante analisar quando ele está ali tendo controle sobre você. Como seria esse controle? Controlando sua forma de investir, controlando com quem você fala, controlando suas mensagens, evitando visitas de familiares e até mesmo que você vá até essas visitas”, explica.
Segundo a especialista, o que muitas vezes é interpretado como zelo pode, na verdade, ser um mecanismo de dominação. O chamado “excesso de cuidado” se manifesta quando o parceiro começa a ditar todas as ações da mulher, limitando seu círculo social e, em casos mais graves, restringindo sua autonomia profissional. “O excesso de cuidado seria começar a ditar tudo que você irá fazer, o ciúme descontrolado sobre com quem você deve ou não falar. Principalmente quando ele limita você até mesmo no mercado de trabalho, para que você não trabalhe e cuide dos filhos, deixando sua vida anterior para viver somente em torno da vida dele”, alerta Caroline Oliveira.
A psicóloga ressalta que, embora o parceiro possa passar a ideia de que está protegendo, essa postura configura um comportamento nocivo. “Ele passa a ideia de que irá te proteger, mas na realidade está virando uma outra coisa, que não é interessante e, principalmente, pode afetar tua saúde mental.”
Diante da identificação desses comportamentos, a orientação é buscar o diálogo com o parceiro para tentar uma solução. No entanto, não havendo entendimento ou mudança de atitude, a especialista afirma que é essencial refletir sobre a continuidade da relação.
Os números no Maranhão escancaram a gravidade do cenário e a necessidade de atenção constante ao problema. Um levantamento da Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP-MA) aponta que os casos de feminicídio tiveram um aumento significativo. Em 2024, foram registradas 68 ocorrências, contra 51 no ano anterior.
Dados parciais de 2025 também acendem um sinal de alerta. Apenas nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, o estado contabilizou três feminicídios consumados e 25 tentativas. No mesmo bimestre do ano passado, os números eram de oito mortes e 20 tentativas, indicando uma mudança no padrão das ocorrências.
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