A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) manifestou formalmente sua discordância em relação ao modelo de intervenção estabelecido pela Justiça do Maranhão na Federação Maranhense de Futebol (FMF). Em documento protocolado na Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, a entidade confirmou participação na audiência marcada para o dia 16 de março de 2026 e pediu a reconsideração da decisão que instituiu uma gestão compartilhada na administração provisória da FMF.
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O imbróglio jurídico teve início em agosto, quando o juiz Douglas de Melo Martins atendeu a um pedido de tutela de urgência do Ministério Público do Maranhão (MPMA). Na ocasião, foi determinado o afastamento cautelar do então presidente Antônio Américo e de toda a diretoria da FMF e do Instituto Maranhense de Futebol (IMF). A medida, que vigorou até novembro, apontou graves irregularidades, incluindo ausência de transparência financeira e suspeita de confusão patrimonial entre as entidades.
Para conduzir o processo de intervenção, a Justiça nomeou a advogada Susan Lucena Rodrigues, atual diretora da Casa da Mulher Brasileira, equipamento ligado ao governo estadual. A decisão, no entanto, abriu espaço para que a CBF também indicasse um representante para atuar de forma simultânea na administração da federação, configurando o que a entidade nacional classifica como uma gestão compartilhada.
Em sua manifestação, a CBF argumenta que a medida fere os princípios de autonomia previstos no estatuto da Federação Internacional de Futebol (FIFA). A entidade alerta que a interferência de agentes externos, inclusive do próprio Estado, na administração de uma federação pode ser interpretada como violação das regras internacionais, acarretando punições que vão desde restrições administrativas até a suspensão do Brasil como membro da FIFA.
A confederação informou ter recebido um comunicado recente da entidade máxima do futebol reforçando a necessidade de autonomia, e citou precedentes internacionais que justificam a preocupação. Casos como os do Kuwait e da Nigéria, onde federações foram suspensas após intervenções judiciais ou governamentais, foram mencionados como exemplos de sanções aplicadas pela FIFA.
A CBF sustenta ainda que possui respaldo legal e estrutura técnica para conduzir processos de intervenção em suas filiadas, citando decisões anteriores do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconhecem essa atribuição. Com base nisso, a entidade solicita ao juiz que autorize a nomeação de um interventor exclusivo, indicado pela própria confederação, como forma de evitar riscos institucionais ao futebol brasileiro.
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