Fred Campos é alvo de buscas por suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro relacionado a descontos ilegais no INSS; família do senador Weverton Rocha também está na mira da investigação
O prefeito de Paço do Lumiar, Frederico de Abreu Silva Campos, conhecido como Fred Campos, está entre os alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (4). A ação investiga um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e apura, nesta etapa, o crime de lavagem de dinheiro. Também são alvos da operação a esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, além do advogado Willer Tomaz .
De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou os 18 mandados de busca e apreensão cumpridos no Distrito Federal e no Maranhão, Fred Campos foi incluído na investigação devido à sua vinculação com a empresa Qualitech Engenharia Ltda. . A Polícia Federal aponta que a empresa, da qual o prefeito é sócio junto com seu pai, Flávio Henrique Silva Campos, teria movimentado valores milionários no circuito financeiro relacionado ao núcleo investigado do senador .
O principal fato que levou à medida contra Fred Campos é uma transferência de R$ 5 milhões realizada pela Qualitech em julho de 2024 para a Petro São Francisco Combustíveis Ltda. No mesmo dia, o posto de combustíveis repassou a mesma quantia para a DJ Agropecuária Comércio e Prestação de Serviços Ltda., empresa apontada como destinatária recorrente de transferências expressivas . Outros valores provenientes da Qualitech teriam seguido para a Rocha Holding Patrimonial Ltda., ligada à família de Weverton Rocha, e para uma empresa relacionada a Erlânio Furtado Luna Xavier, citado como sócio relevante nos postos investigados .
A investigação busca esclarecer a origem dos recursos, a existência de contratos que justifiquem os pagamentos, a finalidade econômica das operações e a identidade dos beneficiários finais . O ministro André Mendonça ressaltou que a representação policial não atribui a Fred Campos uma atuação direta na estrutura supostamente comandada por Willer Tomaz, mas considerou que existe um vínculo objetivo do prefeito com os fatos, em razão de sua posição na empresa que originou os recursos .
A decisão judicial autorizou a apreensão de documentos, contratos, notas fiscais, registros contábeis e bancários, além de equipamentos eletrônicos e dispositivos de armazenamento que possam ter relação com as movimentações investigadas . O ministro proibiu o acesso indiscriminado a informações sem relação com a apuração e não autorizou a interceptação de comunicações futuras .
Em nota, a defesa de Willer Tomaz afirmou que a diligência contra ele “decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha”, e que o advogado “não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes” . Sobre os repasses à esposa do senador, Samya Lorene, que é advogada associada ao escritório, a defesa esclareceu que os valores correspondem a honorários advocatícios de origem lícita .
O senador Weverton Rocha também se manifestou, afirmando que “todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais” e foram declaradas à Receita Federal . O parlamentar disse ter recebido a operação “com tranquilidade” e que se manterá “firme no propósito de lutar pelo Maranhão” .
Por sua vez, Fred Campos declarou, em postagem nas redes sociais, que foi surpreendido pela apuração envolvendo um repasse que, segundo ele, “é resultado de um contrato de arrendamento e não há qualquer ilegalidade” . O prefeito afirmou que adotará todas as medidas jurídicas cabíveis para esclarecer os fatos e tranquilizou a população, dizendo que suas empresas seguem funcionando normalmente .
Esta não é a primeira vez que Fred Campos é alvo da Polícia Federal. Em agosto de 2024, durante a campanha eleitoral, ele foi investigado na Operação 18 Minutos, que apurava a suposta comercialização de decisões judiciais no Maranhão, tendo sido cumpridos mandados de busca em endereços ligados a familiares e a uma empresa do grupo familiar . As informações contidas na decisão judicial são hipóteses investigativas e não representam condenação dos envolvidos .
Leia outras notícias em recordnewsma.com. Siga a Record News MA no Instagram, curta nossa página no Facebook e se inscreva em nosso canal no Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso WhatsApp (98) 99100-8186.




