Operação autorizada por Alexandre de Moraes mirou endereços ligados a Raimundo Cutrim, que já está em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica
A Polícia Federal realizou nesta terça-feira, 11, uma nova operação contra o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Os agentes retornaram a endereços já visitados em julho, incluindo o apartamento onde Cutrim cumpre prisão domiciliar e o antigo gabinete que ocupou como secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do estado. No sítio do ex-secretário, foram recolhidos apenas projéteis de armas de fogo. Até o fechamento desta edição, os detalhes sobre o nome da operação e os mandados cumpridos não haviam sido divulgados oficialmente.
A nova fase investigativa é um desdobramento do caso que envolve o jornalista e blogueiro Luis Pablo, alvo de busca e apreensão em março, também por ordem de Alexandre de Moraes. Na ocasião, a PF apreendeu celular e computador do jornalista, o que permitiu reunir indícios contra Cutrim e contra um advogado ligado a Pablo. A ação teve aval da Procuradoria-Geral da República e foi solicitada pela própria Polícia Federal.
Segundo a PF, desde novembro de 2025, Luis Pablo passou a publicar conteúdos com fotos e dados do veículo funcional do ministro Flávio Dino, também do STF. As investigações apontaram ainda que o jornalista divulgou a informação de que o carro, oficialmente pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão, estaria sendo usado por familiares do ministro. Cutrim, que é delegado aposentado da PF e ocupou a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão em diferentes gestões, além de ter exercido três mandatos como deputado estadual, foi apontado pelos investigadores como a fonte das informações e imagens. Os dados teriam sido obtidos por meio de sistemas com acesso controlado, utilizando o cargo público que ocupava.
A investigação também localizou conversas entre Luis Pablo e Diogo Lima, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís, além de uma transferência bancária de R$ 100 mil em favor do jornalista. De acordo com trecho da decisão que autorizou as buscas, o valor foi depositado na conta de Danilo Cutrim Bezerra, terceiro na transação, para quitar parte da compra de um imóvel pertencente a ele, adquirido por Luis Pablo.
Cutrim já estava submetido a medidas cautelares impostas pelo STF e cumpre prisão domiciliar com monitoramento eletrônico por ordem do ministro Flávio Dino, relator do procedimento anterior. Em 17 de julho, a PF já havia cumprido mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-secretário, em uma investigação que tramitava sob sigilo e apurava suspeitas de coação e obstrução da Justiça. A prisão domiciliar foi determinada posteriormente por Dino.
O caso ganhou repercussão nacional após as buscas na residência do jornalista maranhense, que foi acusado de perseguir o ministro Flávio Dino. Cutrim, que em janeiro de 2025 foi nomeado secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do governo do Maranhão, voltou a ser alvo das autoridades poucas semanas depois da primeira operação, realizada em julho. A nova investida da PF indica que os investigadores seguem aprofundando as apurações sobre a cadeia de obtenção e divulgação de informações sigilosas envolvendo membros do Supremo.
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