Estado registra 221 mulheres na disputa de 2026, contra 318 há quatro anos; redução nacional é de 24%
O número de mulheres que concorrerão a cargos eletivos no Maranhão nas eleições de 2026 sofreu uma queda significativa em comparação com o pleito anterior. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que o estado registrou 221 candidaturas femininas neste ano, ante 318 em 2022. A redução é de 97 postulações, o que representa um recuo de aproximadamente 30,5%.
Apesar da diminuição no total absoluto, as mulheres maranhenses representam 36,6% do total de 604 candidaturas registradas no estado. O percentual, embora ainda acima do piso legal de 30% estabelecido pela legislação eleitoral, contrasta com a retração numérica que preocupa especialistas e ativistas da área.
O fenômeno não é isolado. Em todo o país, o número de candidatas à Câmara dos Deputados caiu de 3.717, em 2022, para 2.820 neste ano, uma redução de aproximadamente 24%. Ainda assim, a participação proporcional das mulheres entre os postulantes ao cargo subiu ligeiramente, de 35% para 36,7%.
Brasil segue na contramão da América Latina
Levantamento do Instituto Esfera revela que o acesso das mulheres aos recursos do Fundo Partidário precisa ser ampliado como forma de estimular a participação feminina. A pesquisa também defende a adoção de uma reserva de vagas, modelo já adotado em países como México e Bolívia, que conseguiram alcançar índices próximos de 50% de mulheres no Legislativo.
A pesquisadora Daniela Matos, que integra o estudo, destaca que o Brasil possui a menor representação feminina na política entre os países da América Latina. Atualmente, as mulheres são 52% do eleitorado brasileiro, mas ocupam apenas 18% das cadeiras do Congresso Nacional.
Crescimento histórico não se traduz em eleição
Dados compilados entre 1998 e 2022 mostram que, embora o número de candidatas à Câmara dos Deputados tenha crescido 925% no período, o total de mulheres eleitas para a Casa aumentou apenas 210%. A disparidade entre o avanço das postulações e o resultado efetivo das urnas revela um gargalo histórico na conquista de espaços de poder.
Para os cargos de governador e para o Distrito Federal, 34 mulheres estão concorrendo em 2026, em um universo de 198 candidatos. Em 2022, foram 38 postulantes. No plano presidencial, nenhum dos partidos com representação no Congresso Nacional lançou chapa com mulher na cabeça.
Com 20.719 candidaturas registradas em todo o Brasil para as eleições de 2026, as mulheres correspondem a 35% do total, ante 34% em 2022. Embora a legislação determine cota mínima de 30% de candidaturas femininas e estabeleça regras para distribuição de recursos partidários, os números mostram que a presença feminina na política brasileira ainda está longe de refletir a composição da sociedade.
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