No estado, apenas 40% das pessoas do grupo prioritário está imunizada; meta é de 90%
De cada dez pessoas dos grupos considerados prioritários para a vacinação contra a gripe no Maranhão, apenas quatro receberam o imunizante em 2026. A cobertura está em 40,32%, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), menos da metade do público e distante da meta de 90%.
A vacinação contra a gripe faz parte da estratégia nacional de imunização desde 1999 e precisa ser renovada todos os anos. Isso acontece porque os vírus influenza sofrem alterações frequentes e a composição da vacina é atualizada de acordo com as cepas com maior probabilidade de circulação em cada temporada.
Além disso, a proteção diminui ao longo do tempo. A vacina apresenta ao sistema imunológico componentes de vírus influenza inativados, incapazes de causar a doença, para estimular a produção de anticorpos. Por isso, ter se vacinado no ano passado não substitui a dose recomendada para este ano.
A definição de grupos prioritários também tem uma razão: embora qualquer pessoa possa contrair influenza, algumas apresentam maior risco de desenvolver complicações. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com determinadas doenças crônicas ou condições de saúde estão entre os públicos que merecem atenção especial. Para essas pessoas, uma gripe pode evoluir para quadros mais graves, levar à hospitalização ou agravar doenças já existentes.
O que isso pode representar?
Segundo a enfermeira e professora de Medicina do IDOMED Açailândia, Taynara Logrado, quando poucas pessoas se vacinam, aumenta a circulação do vírus e cresce o risco de surtos. Isso favorece a transmissão justamente para as para pessoas que podem desenvolver formas mais graves da doença. “A gripe pode provocar, nesses grupos de risco, pneumonia, descompensação de doenças cardíacas e respiratórias, necessidade de internação e, em situações mais graves, óbito.
A baixa cobertura também sobrecarrega os serviços de saúde, uma vez que, sem imunização, mais pessoas ficarão doentes e terão sintomas mais fortes. “A vacinação não elimina todos os casos, mas reduz significativamente o risco de doença grave, hospitalização e morte, além de contribuir para proteger a coletividade”, completa Taynara.
Causas
Entre os motivos para o baixo índice de vacinação, segundo a enfermeira, estão a baixa percepção de risco, já que muitas pessoas ainda consideram a gripe uma doença simples; a circulação de informações falsas nas redes sociais; o receio de reações adversas; e a falsa ideia de que a vacina pode causar gripe. Também podem contribuir dificuldades de acesso, como distância até a unidade de saúde, incompatibilidade de horários, falta de transporte e desconhecimento sobre os locais e períodos de vacinação.
Taynara pontua que a família pode desempenhar um papel importante e apoiar idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas, ajudando no deslocamento, verificando a caderneta de vacinação e acompanhando as datas das campanhas. “Também é importante não compartilhar informações sem fonte confiável e seguir as orientações da Secretaria de Saúde. A vacinação é uma medida segura, acessível e de responsabilidade individual e coletiva. Quanto maior a cobertura, maior a proteção dos grupos que apresentam maior risco de complicações”, finaliza a professora do IDOMED Açailândia.
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