Comentário em rede social associa autoridade policial a estereótipo racial; associação promete medidas cíveis e criminais contra autor do crime de racismo
A Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Maranhão (Adepol/MA) divulgou nota de repúdio, nesta quinta-feira (27), contra um comentário de cunho racista direcionado ao delegado Guilherme Luiz Campelo dos Santos, recentemente designado para o município de Paulino Neves, no litoral maranhense.
A manifestação, publicada em rede social por um usuário identificado como Lincoln Rei, comparou o delegado, que é negro, a um “peão fazedor de caeira”, referência a trabalhador braçal na produção de carvão. A associação classificou o comentário como “abjeto, ofensivo e absolutamente inadmissível”, afirmando que o ataque busca desqualificar o profissional a partir da cor de sua pele e de estereótipos raciais.
“Não se trata de crítica, opinião ou brincadeira. Trata-se de um ataque que busca desqualificar um delegado de polícia a partir da cor de sua pele e de estereótipos raciais que não podem ser tolerados”, enfatiza a nota da Adepol.
A entidade informou que adotará todas as medidas cabíveis nas esferas cível e criminal para identificar, responsabilizar e punir o autor do comentário, nos termos da legislação vigente. Especialistas enquadram a conduta no crime de racismo, previsto na Lei 7.716/89, de natureza inafiançável e imprescritível.
A Adepol destacou que a ofensa é ainda mais grave por tentar associar a cor da pele a uma suposta incapacidade para o exercício de cargo público de elevada responsabilidade. “Quem utiliza redes sociais para propagar conteúdo racista precisa compreender que a internet não é espaço de impunidade e que a liberdade de expressão não protege práticas discriminatórias”, afirma a nota.
O delegado Guilherme Luiz Campelo dos Santos tem 28 anos de experiência na Polícia Civil e já atuou em cidades como Imperatriz, Santa Inês e Barra do Corda. Recentemente, assumiu a liderança da unidade policial em Paulino Neves, onde coordenou a segurança durante a eleição simulada da Justiça Eleitoral no último fim de semana. A nomeação do profissional, segundo a associação, atendeu a critérios técnicos.
A nota reforça que a Adepol não aceitará que qualquer de seus associados seja alvo de ataques dessa natureza e que o racismo não será relativizado, minimizado ou tratado como simples excesso verbal. O autor do comentário deverá ser chamado a responder por seus atos.
Leia outras notícias em recordnewsma.com. Siga a Record News MA no Instagram, curta nossa página no Facebook e se inscreva em nosso canal no Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso WhatsApp (98) 99100-8186.




