A produção artística do Maranhão ganha destaque nacional com a abertura da exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino” no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH), no dia 4 de março. Natural do município de Bacurituba, no interior maranhense, a artista consolida uma trajetória de mais de quatro décadas levando para o circuito nacional uma obra que questiona o papel historicamente imposto às mulheres.
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A mostra reúne 13 trabalhos em escultura, crochê e bordado que partem de técnicas têxteis para abordar temas como a coisificação do corpo feminino, a violência de gênero e o apagamento das mulheres na história da arte. Para Marlene, o uso da agulha e da linha resgata um fazer que durante séculos foi relegado ao espaço doméstico e desvalorizado como artesanato. “Durante séculos, mãos femininas bordaram silêncios, costuraram ausências e coseram memórias em linhas quase invisíveis”, afirma a artista em material de divulgação da exposição.
A relação da artista com o Maranhão é parte estruturante de seu trabalho. Em São Luís, ela mantém o Ateliê Marlene Barros e coordena o Ponto de Cultura Coletivo ZBM, espaços dedicados à formação de novos artistas e à articulação de redes culturais no estado. A atuação no cenário local inclui ainda o cargo de produtora cultural no Departamento de Atividades Culturais (DAC) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), instituição onde também se formou em Desenho Industrial.
A pesquisa que deu origem à exposição atual começou durante o mestrado da artista em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, em Portugal. Na ocasião, Marlene propôs costurar uma casa em ruínas localizada no campus, ação que posteriormente se desdobrou em uma metáfora para o corpo feminino. “A minha intenção não consistia apenas em abordar questões relacionadas à casa, mas utilizar essa prerrogativa para ir além e tocar em aspectos ligados, principalmente, ao universo feminino”, diz.
Entre as obras apresentadas em Belo Horizonte, destacam-se instalações como “Eu tenho a tua cara”, composta por 49 rostos de mulheres com olhos e bocas trocados, e “Quem pariu, que embale”, que problematiza a atribuição exclusiva do cuidado dos filhos às mulheres. Os trabalhos serão expostos nas galerias do térreo do CCBB BH até o dia 1º de junho, com entrada gratuita.
A curadoria é assinada por Betânia Pinheiro, também maranhense, que atua como supervisora de Cultura do Sesc no estado. Graduada em Educação Artística pela UFMA e especialista em Artes Visuais, Betânia integrou a equipe de coordenação da exposição “+500 Mostra do Redescobrimento do Brasil” e produz desde 2007 a Feira do Livro de São Luís.
A programação paralela em Belo Horizonte inclui atividades formativas abertas ao público, como a oficina “Arpilleras de si”, que utilizará bordado e costura como formas de expressão e elaboração do trauma em mulheres com histórico de violências. O resultado do trabalho coletivo será incorporado à exposição.
A mostra no CCBB BH funciona de quarta a segunda, das 10h às 22h, com ingressos gratuitos disponíveis no site ccbb.com.br/bh e na bilheteria do centro cultural.
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