Queda entre a primeira e a segunda aplicação preocupa e pode abrir espaço para o retorno de doenças já controladas
Com o início da Campanha Nacional de Multivacinação nesta segunda-feira (3), São Luís mobiliza as unidades de saúde para atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos. A estratégia, que segue até 1º de setembro, inclui vacinação de rotina nas unidades básicas de saúde, ações em escolas municipais entre os dias 17 e 21 de agosto e um Dia D de mobilização em 22 de agosto. Embora o Estado tenha avançado na cobertura vacinal nos últimos anos, milhares de pessoas ainda deixam de completar o esquema de imunização, permanecendo vulneráveis a doenças que poderiam ser evitadas por vacina.
No Maranhão, um dos principais desafios é justamente garantir o retorno da população para as doses seguintes. A interrupção do esquema vacinal reduz a proteção individual e coletiva e pode favorecer a volta de doenças que deixaram de circular com frequência justamente por causa da vacinação.
O alerta é especialmente importante para as vacinas que devem ser tomadas durante o primeiro ano de vida. No caso da tríplice viral, por exemplo, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, o percentual de crianças maranhenses vacinadas era de 89,01% em outubro de 2025. Na segunda aplicação, porém, o índice caiu para 70,47%, segundo dados do Ministério da Saúde. A meta estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações é de 95%. A diferença de 18,54 pontos percentuais entre a primeira e a segunda dose indica que as famílias até procuram os postos de saúde, mas não concluem o esquema recomendado. Sem todas as doses, a imunização pode ficar incompleta.
A vacinação contra o HPV também permanece abaixo da meta. Dados da Secretaria de Estado da Saúde apontam cobertura de 79,61% entre as meninas e 63,57% entre os meninos. O objetivo é alcançar pelo menos 90% do público-alvo. O imunizante ajuda a prevenir infecções relacionadas ao câncer do colo do útero e a outros tipos de câncer provocados pelo vírus.
O farmacêutico e professor do IDOMED São Luís, Mizael Calácio Araújo, explica que a baixa adesão tem diferentes causas, especialmente nos municípios mais distantes. “Existem dificuldades de acesso aos serviços de saúde, seja pela distância das unidades, limitação de transporte ou horários de funcionamento que nem sempre atendem à realidade da população”, explica.
O medo de reações também é um fator que afasta parte da população, mas Mizael esclarece que pequenos efeitos colaterais são normais. “Dor no local da aplicação e febre baixa são efeitos esperados em alguns casos. Eventos graves são extremamente raros e são sempre monitorados pelos órgãos de vigilância”, explica.
Para o professor, a redução dos casos de algumas doenças acabou criando uma falsa sensação de segurança. “Como muitas doenças deixaram de ser frequentes graças ao sucesso da vacinação, algumas pessoas acreditam que elas não representam mais risco. Mas, quando a cobertura diminui, essas doenças podem voltar a circular e provocar novos surtos”, alerta.
Para ampliar a cobertura, o especialista defende campanhas em escolas, empresas e comunidades, horários estendidos nos postos, busca ativa de pessoas com doses atrasadas e ações permanentes de educação em saúde. “A baixa vacinação compromete a chamada proteção coletiva e atinge principalmente crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas e quem não pode receber determinados imunizantes por orientação médica. Também pode provocar aumento de internações e sobrecarga no sistema de saúde”, explica.
Mizael explica que o profissional de Farmácia também pode ajudar a identificar atrasos na caderneta, orientar sobre os imunizantes e combater informações falsas. “A recomendação é procurar uma unidade de saúde com a caderneta de vacinação. Mais do que tomar a primeira dose, é necessário completar todo o esquema indicado para cada faixa etária”, conclui.
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