Médico da HU Brasil reforça importância do cadastro como doador voluntário
O Dia Mundial do Doador de Medula Óssea é celebrado no terceiro sábado de setembro. A finalidade é conscientizar a população sobre a importância da doação no tratamento de doenças como a leucemia. De acordo com o médico hematologista Yuri Nassar, responsável técnico do Centro de Processamento Celular do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA/HU Brasil), o papel da medula óssea para o funcionamento do nosso organismo é fundamental, porque é por meio desse tecido que ocorre a produção de hemácias responsáveis por transportar oxigênio para todas as nossas células.
Nassar explica que as células da imunidade auxiliam no combate a vírus, bactérias e qualquer outro micro-organismo que possa tentar adentrar o nosso corpo, e também são responsáveis por parte da coagulação sanguínea, com a formação e a produção das plaquetas. O hematologista ressalta que os principais sinais de alerta sobre problemas que possam levar ao diagnóstico de leucemia são perda ponderal, ou seja, perda de peso rápida e progressiva, febre, aumento de ínguas, sangramentos, infecções de repetição, manchas roxas no corpo e fadiga.
No entanto, de acordo com o médico, o transplante de medula óssea não é indicado para todos os tipos de leucemias. “Primeiro a gente precisa saber que a leucemia não é uma doença única. Existem mais de 20 tipos de leucemia. Cada uma hoje tem um tratamento recomendado, específico, tanto conforme o tipo da doença quanto conforme também as condições da pessoa, idade, comorbidades. Então nem sempre o transplante entra como uma terapia para o paciente com leucemia”, esclarece.
Para ele, o transplante é muito indicado principalmente para pacientes abaixo de 75 anos com diagnóstico de leucemias agudas. “Diante desse contexto, o transplante entra como parte do tratamento, que primeiro ocorre através de quimioterapia ou imunoterapia. Depois que a doença tem um controle maior com esse tratamento, a gente consegue encaminhar para o transplante de medula para intensificar o tratamento”, afirma Yuri.
Particularidade brasileira
O hematologista chama a atenção para uma particularidade do Brasil. “O principal desafio é que a nossa população é formada por muitos povos, é muito miscigenada, então a nossa variabilidade genética é muito maior. Ou seja, encontrar um doador não aparentado que englobe a capacidade de ter alguém 100% compatível fora do contexto familiar é muito mais difícil do que, por exemplo, em países como o Japão, onde a população é muito mais unificada geneticamente, não há tanta miscigenação. Mas, dentro do nosso país, nós temos grupos específicos populacionais com um desafio ainda maior, principalmente os grupos indígenas, pessoas quilombolas, pois no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), há poucas pessoas desses grupos cadastradas”, pontua o médico.
A importância da medula óssea no tratamento de doenças hematológicas
A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue (os glóbulos vermelhos, brancos e as plaquetas). O transplante é indicado principalmente em leucemias agudas e crônicas, síndromes mielodisplásicas, linfomas e mielomas que não respondem bem a outros tratamentos, além de doenças não malignas como aplasia de medula e algumas imunodeficiências e doenças genéticas. Segundo a especialista, nessas condições, a medula do paciente deixa de funcionar corretamente e precisa ser substituída.
A compatibilidade é avaliada por um exame chamado tipagem HLA (antígeno leucocitário humano), que identifica marcadores genéticos nas células. Quanto mais compatíveis os marcadores entre doador e receptor, menor o risco de rejeição ou de complicações.
Quem pode doar?
No Brasil, o cadastro é concentrado no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o Redome, que já é o terceiro maior banco de doadores do mundo, segundo informações disponíveis no site da instituição.
Para se tornar candidato a doador, é necessário ter entre 18 e 35 anos, apresentar documento original de identificação com foto e estar em bom estado de saúde, mas algumas condições impedem o cadastro, como histórico de câncer ou diagnóstico de algumas doenças autoimunes (como lúpus, fibromialgia, esclerose múltipla, Doença de Crohn etc). O Redome disponibiliza uma lista dessas condições que inviabilizam a inscrição.
Como é feita a doação
Antes do transplante, o paciente e o doador passam por exames para confirmar que os dois estejam em boas condições clínicas. A doação pode ser feita por coleta do sangue periférico (que está nos vasos sanguíneos) ou por punção do osso da bacia. Se a fonte de células do doador for a do sangue periférico, ele precisa aplicar um medicamento para estimular as células e a coleta é feita entre um e dois dias antes do transplante. Já quando a fonte é a punção do osso da bacia, o doador precisa internar. É feita uma anestesia e os médicos coletam a medula.
Sobre a HU Brasil
O HU-UFMA integra a Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
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