Esposa, filha e duas irmãs de Weverton Rocha (PDT-MA) estão entre os alvos de busca e apreensão; parlamentar já foi investigado em fases anteriores e teve pedido de prisão negado pelo STF em 2025
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (4) mais uma fase da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão .
Entre os alvos da manhã estão a esposa, uma filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado. O parlamentar, que já foi alvo de busca e apreensão em dezembro do ano passado, não foi alvo de mandados nesta fase . As investigações desta etapa miram suspeitos de atuar na lavagem de dinheiro obtido com as fraudes .
Segundo apurações da PF, o advogado Willer Tomaz é apontado como um dos principais alvos da nova fase. Há suspeitas de que ele tenha atuado na lavagem de dinheiro para o senador . Willer, que já foi preso em 2017 nas investigações sobre a JBS, é conhecido por sua relação com políticos de diferentes espectros ideológicos .
A Operação Sem Desconto investiga descontos irregulares em benefícios previdenciários ocorridos entre 2019 e 2024. Conforme as investigações, os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões . Em abril de 2025, a PF revelou a existência do esquema criminoso para realizar descontos não autorizados de valores recebidos por aposentados e pensionistas .
Segundo a corporação, as investigações desta fase tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que teriam sido realizadas “por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos” .
Em dezembro do ano passado, o ministro do STF André Mendonça, relator do inquérito, autorizou busca e apreensão na residência do senador, mas negou pedido de prisão preventiva feito pela PF . Na ocasião, a Procuradoria-Geral da República manifestou-se contra a prisão, argumentando que as provas apresentadas pela polícia ainda eram “frágeis” e assentadas em “inferências ainda não consolidadas” .
A PF apontou Weverton como “sustentáculo político” do esquema e suspeitou que ele atuasse como “sócio oculto” e beneficiário final de operações financeiras da organização criminosa, recebendo recursos por meio de interpostas pessoas, incluindo ex-assessores parlamentares . Em nota à época, o senador afirmou confiar nas instituições e disse que a decisão do STF “é clara ao reconhecer a ausência de provas que me vinculem a práticas ilícitas ou ao recebimento de recursos irregulares” .
A nova fase da operação também mira outros investigados que tiveram vínculos apontados com o senador em apurações anteriores, incluindo o ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Portal, e o ex-assessor parlamentar Gustavo Gaspar . Ambos foram alvos de prisão preventiva na fase de dezembro .
A PF informou que as apurações prosseguem para esclarecer a origem e a destinação dos recursos, o objetivo dos repasses e a individualização das condutas de todos os investigados .
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