Imóvel do século XIX, em risco de desabamento, passa por restauração com recursos do Novo PAC Patrimônio Cultural. Projeto prevê integração arquitetônica e ampliação de atividades educativas no Centro Histórico de São Luís
Um dos sobrados históricos da Rua de Nazaré, no coração do Centro Histórico de São Luís, começou a ser restaurado nesta terça-feira (4) para se tornar o novo anexo do Museu da Gastronomia Maranhense. O imóvel, localizado no número 135 da via também conhecida como Rua Joaquim Távora, estava em estado de degradação e corria risco de desabamento, segundo a Fundação Municipal de Patrimônio Histórico (Fumph). A intervenção, orçada em R$ 5.268.956,18, tem prazo de 360 dias e é financiada pelo Novo PAC Patrimônio Cultural, do Governo Federal, com recursos repassados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
O casarão integra o perímetro de tombamento federal do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de São Luís, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial desde 1997. A restauração prevê a recuperação de paredes, revestimentos, pisos em pedra de lioz, estruturas de madeira, esquadrias e gradis, além da revisão completa da cobertura. Também estão previstas a implantação de novas instalações, adequações de acessibilidade, com elevador, cadeira elevatória e sanitários adaptados. O projeto foi elaborado para conciliar a preservação dos elementos originais com as exigências técnicas para o novo uso.
Após a conclusão das obras, o prédio será interligado ao Museu da Gastronomia Maranhense pelos pavimentos superiores. O espaço abrigará biblioteca, recepção, salas de aula, sala de professores, cantina, áreas de convivência e um auditório com capacidade para 73 pessoas. Os ambientes serão destinados a cursos de qualificação em turismo, atividades educativas e ações culturais, ampliando a estrutura atual do museu, que está entre os cinco equipamentos culturais mais visitados do estado. Mais da metade do público atual é composta por maranhenses, segundo dados da Secretaria Municipal de Turismo.
A presidente da Fumph, Kátia Bogéa, afirmou que a obra é tecnicamente complexa e essencial para dar uma nova função social a um imóvel em situação crítica. Ela destacou que a parceria entre o IPHAN e o Município demonstra ser possível unir esforços em favor da preservação do patrimônio. O superintendente do IPHAN no Maranhão, Júnior Verde, avaliou que a restauração de casarões não apenas preserva a memória da cidade, mas também movimenta o comércio, gera empregos e fortalece o turismo local.
A solenidade de assinatura da ordem de serviço, realizada na Praça da Criança (Praça do Reggae), ao lado do imóvel, contou com a presença de representantes de órgãos públicos, técnicos e instituições parceiras. O evento abriu oficialmente a programação do Mês do Patrimônio Cultural, que ocorre ao longo de agosto em São Luís. Entre as atividades previstas estão seminários, palestras, ações de educação patrimonial e o lançamento do podcast “O Patrimônio Vivo”, com depoimentos de mestres da cultura popular maranhense.
A campanha “Vandalismo Não é Legal”, também promovida pela Fumph, integra as ações do período e busca conscientizar a população sobre a importância da conservação dos monumentos e imóveis históricos. A iniciativa reforça que a preservação do patrimônio é uma responsabilidade compartilhada entre poder público e sociedade, essencial para manter viva a memória, a identidade e a paisagem urbana da capital maranhense.
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