A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga descontos indevidos em aposentadorias retomou os trabalhos com medidas duras. Dois deputados estaduais do Maranhão, Edson Araújo e Paulo Camisotti, foram formalmente convocados para depor na próxima segunda-feira, às 16h, no Senado. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), advertiu que, em caso de não comparecimento, os parlamentares serão obrigados a atender à convocação por meio de condução coercitiva.
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O caso do deputado Edson Araújo, atualmente sem partido, tem chamado especial atenção. O vice-presidente da CPMI, deputado federal Duarte Júnior (PSB-MA), revelou durante a sessão que a comissão recebeu a quebra de sigilo bancário do parlamentar. Os dados, segundo ele, indicam movimentações volumosas: recebimento de R$ 18,5 milhões apenas nos últimos seis meses de 2025, e de mais de R$ 54,9 milhões em junho de 2024, ambos em conta pessoal. Araújo já é investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto e foi alvo de uma denúncia à Polícia Legislativa por suposta ameaça ao deputado Duarte Júnior.
Trabalhos em andamento
A volta dos trabalhos da CPMI também foi marcada pelo depoimento do presidente do INSS, Gilberto Ale Júnior. Ele apresentou números da autarquia, que atende 99,3 milhões de assegurados com um custo mensal de R$ 84 bilhões. Ale Júnior destacou uma redução significativa no quadro de servidores, que caiu de mais de 32 mil em 2019 para pouco mais de 18 mil em 2025, e informou que mais de R$ 2 milhões já foram ressarcidos a mais de 4 milhões de beneficiários vítimas de descontos irregulares.
O senador Carlos Viana enfatizou que os trabalhos da comissão trouxeram tranquilidade aos aposentados, garantindo que não haverá mais cortes sem autorização nos benefícios. Ele defendeu a criação de regras mais claras para proteger os aposentados contra o que classificou como uma “ciranda financeira” imposta por bancos e financeiras.
A CPMI terá uma agenda movimentada. Após as oitivas dos deputados maranhenses na segunda-feira, os trabalhos entrarão em recesso de carnaval, retornando apenas em 26 de fevereiro, quando está previsto o depoimento de Daniel Varcaro, dono do Banco Master.
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