Carlos Brandão (MDB) classificou como “inverdades” as declarações de Gilbson Cutrim, que afirmou ter levado dinheiro ao Palácio dos Leões. Governador também questiona competência do STF para investigar o caso.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), rebateu nesta terça-feira (18) as acusações feitas por Gilbson César Soares Cutrim Júnior, condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato do empresário João Bosco Pereira Oliveira Sobrinho, em agosto de 2022. Em depoimento à Polícia Federal, Cutrim afirmou que frequentava o Palácio dos Leões e que levou valores em dinheiro destinados ao governador para dentro da sede do Executivo estadual.
Em nota publicada nas redes sociais, Brandão negou qualquer relação com o condenado e classificou as declarações como mentirosas. “Não há sequer uma prova de todas essas inverdades que estão sendo ditas. Por isso, afirmo categoricamente que são mentirosas. Nunca tive relação com esse assassino confesso. Nunca o recebi no Palácio, nem em qualquer lugar”, afirmou o governador.
O governador também contestou um dos detalhes apresentados por Cutrim, que afirmava utilizar a vaga 6 do estacionamento do Palácio dos Leões em suas visitas. Segundo Brandão, o local está ocupado por um gerador há seis anos, e ele divulgou uma imagem do equipamento para comprovar a afirmação.
O depoimento de Cutrim à Polícia Federal integra as investigações sobre o assassinato de João Bosco, ocorrido no edifício Tech Office, em São Luís. Segundo a apuração, o homicídio pode ter relação com uma disputa envolvendo cobrança de propinas e contratos públicos no estado. Em sua nova versão, o condenado afirmou que Daniel Brandão, sobrinho do governador e presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), participou de reunião no local pouco antes do crime.
Daniel Brandão foi afastado do cargo por 180 dias na última segunda-feira (17), por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. O ministro considerou que a permanência do conselheiro à frente do tribunal poderia atrapalhar as investigações, que apuram um suposto “ecossistema criminoso” voltado ao desvio de recursos públicos no Maranhão.
Em sua manifestação, o governador afirmou que sua defesa ainda não teve acesso à íntegra do processo e voltou a questionar a competência do STF para supervisionar a investigação, citando parecer da Procuradoria-Geral da República. Segundo Brandão, a apuração, por envolver um governador de estado, deveria tramitar no Superior Tribunal de Justiça.
“Tenho plena convicção de que a verdade prevalecerá. E estou pronto para defender minha dignidade e minha trajetória política e pessoal”, finalizou o governador.
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