Pré-candidato do PSTU à Presidência, o maranhense Hertz da Conceição Dias participou, nesta terça-feira (28), da sabatina promovida pelo Correio Braziliense. Professor, rapper e ativista, o presidenciável apresentou um conjunto de propostas para um eventual governo que abrange reforma política, economia, educação e segurança pública, com críticas contundentes ao modelo institucional vigente.
Durante a entrevista, Hertz reconheceu a falta de representação do PSTU no Congresso Nacional, mas afirmou que a governabilidade seria garantida por meio de conselhos populares formados por sindicatos, associações e movimentos sociais. Segundo ele, essas organizações, que representariam a maioria da classe trabalhadora, funcionariam como instrumentos de participação direta nas decisões políticas.
O pré-candidato direcionou críticas ao sistema político atual, apontando que partidos menores são prejudicados pela falta de espaço em debates e tempo de propaganda. Entre as propostas de mudança institucional, defendeu que deputados, senadores e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passem a receber salários equivalentes aos de professores ou trabalhadores qualificados, além da revogabilidade de todos os mandatos eletivos pela população e a eleição direta para ministros da Suprema Corte.
Na área econômica, o presidenciável defendeu a revogação do arcabouço fiscal, das reformas da Previdência, trabalhista e tributária, além da suspensão do pagamento da dívida pública. Argumentou que essas medidas ampliariam os investimentos em serviços públicos e garantiriam maior proteção social. Também voltou a defender uma reforma tributária progressiva, com maior tributação sobre os mais ricos, e a revisão da Lei Kandir. Sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal, afirmou que estados e municípios perderam capacidade de investimento e propôs, como alternativa, a criação de uma “Lei de Responsabilidade Social”, acompanhada de auditoria da dívida pública e fortalecimento da fiscalização tributária para coibir fraudes e reduzir incentivos fiscais a grandes empresas.
Em relação à educação, Hertz afirmou que o ensino público brasileiro passa por sucateamento e privatização indireta. Defendeu mais investimentos exclusivamente na rede pública, um plano nacional unificado de cargos e salários para professores, o fim das terceirizações e a revogação do Novo Ensino Médio. Também criticou a militarização das escolas e associou os problemas educacionais às desigualdades históricas, defendendo a política de cotas como instrumento de redução dessas desigualdades.
O pré-candidato afirmou que o combate ao feminicídio e à misoginia deve ser prioridade nas políticas públicas. Defendeu a ampliação da rede de proteção com mais delegacias especializadas funcionando 24 horas, fortalecimento de casas de acolhimento e ampliação da estrutura de atendimento às vítimas. Segundo ele, a violência de gênero está relacionada à crise econômica e à disseminação de discursos de ódio, e manifestações que incentivem discriminação e violência contra mulheres devem ser responsabilizadas pelo Estado.
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