Processo foi separado após parlamentar não ser encontrada em endereço no interior; denúncia aponta esquema com ofertas de R$ 200 a R$ 500 em eleição municipal
A Polícia Federal avançou nesta quarta-feira (29) em uma nova etapa da investigação sobre suposto esquema de compra de votos em Centro do Guilherme, no Maranhão, com a abertura de um processo penal exclusivo contra a deputada federal Maria Deusdete Lima Cunha Rodrigues, a Detinha (PL). A ação tramita na 101ª Zona Eleitoral de Governador Nunes Freire e tem a parlamentar como única ré.
O desmembramento ocorreu após a Justiça Eleitoral não conseguir localizar Detinha no endereço informado em Centro do Guilherme. A medida não configura nova denúncia ou investigação, mas a separação da ação penal já instaurada com base em inquérito da PF. A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público Eleitoral, a partir de depoimentos e outros elementos colhidos na apuração.
Os fatos investigados remontam às eleições municipais de 2024. Segundo a acusação, uma estrutura teria sido montada para oferecer dinheiro a eleitores em troca de apoio político, com o objetivo de ampliar e preservar a influência do grupo ligado a Detinha na cidade. Na denúncia, a deputada é apontada como suposta articuladora, líder e mentora intelectual do esquema.
O Ministério Público afirma que as ofertas eram feitas em nome da parlamentar e que Laexandro Cardoso da Conceição, conhecido como Alex da Pesca, atuava como braço operacional, realizando abordagens e entregando os valores. Depoimentos colhidos pela PF mencionam ofertas individuais entre R$ 200 e R$ 500. O relatório policial registra ainda fotografias de quantias de R$ 4 mil e R$ 5 mil relacionadas ao caso.
Em interrogatório, Alex da Pesca admitiu ter entregue dinheiro a eleitores, mas alegou que os pagamentos seriam “ajuda de custo” ou remuneração por serviços de capina e limpeza. Para o Ministério Público, a explicação não se sustenta diante dos relatos das testemunhas e do contexto eleitoral atribuído aos repasses.
A investigação também apurou possível tentativa de intimidação de denunciantes. Laricélia Santos Costa, que responde ao processo ao lado de Alex da Pesca na ação original, é acusada de pressionar eleitores e testemunhas a gravarem vídeos de retratação, modificarem declarações iniciais e atribuírem a entrega do dinheiro a grupos adversários.
O relatório final da Polícia Federal informa que a investigação foi concluída no fim de abril. Nenhum valor ou bem relacionado ao suposto esquema foi apreendido. Segundo os depoimentos, o equipamento que armazenaria imagens e conversas originais foi descartado após apresentar danos.
Apesar da ausência de apreensão do dinheiro e do aparelho, o Ministério Público Eleitoral sustentou que os depoimentos e demais elementos produzidos pela PF eram suficientes para a ação penal. A denúncia foi recebida pela Justiça Eleitoral no fim de maio.
Inicialmente, Detinha respondia ao lado de Alex e Laricélia. A separação foi determinada porque a tentativa de citação da deputada, que possui endereço funcional público na Câmara dos Deputados, em Brasília, poderia atrasar o andamento do processo contra os demais acusados. Com o desmembramento, Alex e Laricélia permanecem na ação original.
A abertura da ação ocorre um dia após o PL homologar a candidatura de Detinha a deputada estadual, ampliando o desgaste da parlamentar no início da campanha eleitoral.
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