Comemorada em 24 de setembro no Maranhão, Piauí e Pará, data marca a trajetória de organização das mulheres e terá atividades nos territórios ao longo do mês
Setembro celebra a identidade, os saberes, o trabalho e a organização das mulheres que mantêm viva a cultura e contribuem para a preservação dos babaçuais. Em 24 de setembro, é comemorado o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu no Maranhão, Piauí e Pará, reconhecendo a importância dessas mulheres e de seus modos de vida para o bem viver e a proteção da natureza.
Neste ano, o MIQCB escolheu como tema para o Mês das Quebradeiras de Coco Babaçu “Somos quebradeiras. Somos floresta. Somos território. Somos vida.” A campanha reforça que ser quebradeira vai além de coletar e quebrar o coco: é um modo de vida construído na relação com os babaçuais, os territórios, os saberes, o trabalho e a organização coletiva. A proposta é dar centralidade às mulheres, suas histórias e experiências, evidenciando também a produção, a geração de renda e as lutas que garantem a continuidade desse modo de vida.
No Maranhão, o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco foi instituído pela Lei nº 9.428/2011; no Piauí, pela Lei nº 6.669/2015; e, no Pará, pela Lei nº 10.930/2025. No Tocantins, a celebração acontece em 7 de novembro, em homenagem a Dona Raimunda Gomes da Silva, a Dona Raimunda Quebradeira de Coco, cuja data de falecimento coincide com a celebração.
A data também marca a fundação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que nasceu da organização das mulheres em defesa das florestas de babaçu, dos territórios tradicionais, do livre acesso aos babaçuais e de melhores condições de vida para as quebradeiras, suas famílias e comunidades.
Para a coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes, essa luta está diretamente relacionada ao bem viver e à conservação das florestas.
“A luta das quebradeiras de coco babaçu é pelo bem viver, pela garantia dos nossos modos de vida e pelo direito de continuar vivendo e produzindo em nossos territórios. Quando defendemos os babaçuais, protegemos também as florestas, a biodiversidade, a água e o equilíbrio ambiental. Nossos conhecimentos mostram que é possível produzir, gerar renda e cuidar da natureza. Defender o babaçu é defender a vida”, afirma Maria Alaídes.
O extrativismo do babaçu é fonte de sustento, renda e autonomia. Do fruto são produzidos alimentos e diversos outros produtos que movimentam a economia das comunidades e contribuem para a permanência das famílias nos territórios. Por isso, proteger os babaçuais, garantir o livre acesso e defender os territórios tradicionais e os direitos das comunidades são lutas construídas pelas quebradeiras ao longo de décadas.
Celebrações movimentam os territórios
Durante o mês de setembro, as regionais do MIQCB realizam atividades para celebrar a data e fortalecer a organização das quebradeiras.
No Piauí, o Encontro Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu acontece em 24 de setembro, com o tema “Território livre, babaçu livre, identidade e resistência na luta pelo bem viver”, reunindo celebração, feira de produtos e diálogos sobre os desafios nos territórios.
No Pará, a programação será realizada em 26 de setembro, na Vila Ponta de Pedra do Araguaia, em São João do Araguaia, com debates sobre direitos, violência, regularização territorial e Babaçu Livre, além da inauguração da sede do grupo local.
No Maranhão, a Regional Baixada realiza, no dia 24, atividades nos quilombos Santa Severa, em Cajari, e Santa Maria, em Matinha, com mutirão e competição de quebra de coco, roda de histórias, oficinas, sessão de fotos e vivência cultural. Na Regional Imperatriz, a programação acontece em 30 de setembro, com ato por direitos na Câmara de Vereadores de Cidelândia.
Livro aborda experiência de educação popular das quebradeiras
Também no dia 24 de setembro, em São Luís, será lançado o e-book Guardiãs da Floresta: educação popular, extensão universitária, arte e resistência. O lançamento acontece às 18h, durante o I Seminário de História e Política da Educação, no Auditório do Curso de História da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), na Praia Grande.
O livro é fruto da parceria entre o MIQCB e o curso de Licenciatura em Artes Visuais do IFMA Campus Centro Histórico (IFMA/CCH), por meio do projeto de extensão “Educação Popular: quebrando saberes, elaborando projetos socioambientais e preservando a floresta de babaçu”, coordenado pela professora Michelle Freitas Teixeira e desenvolvido com apoio do Edital de Fomento de Ações de Extensão nº 05/2024 (PROEXT/IFMA).
A obra reúne a experiência de extensão universitária desenvolvida no Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, a partir da educação popular e da formação de lideranças, mulheres e juventudes das comunidades de base do MIQCB. Após o lançamento, estará disponível gratuitamente para download no site do Movimento.
As atividades reafirmam uma agenda comum aos diferentes territórios do MIQCB: valorizar a identidade e os saberes das quebradeiras, proteger os babaçuais, defender os territórios e fortalecer a organização das mulheres.
Veja a programação
24/09 – Piauí
Encontro Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu — Clube O Arrocha, Amargosa, Esperantina (PI), BR-222. Celebração, feira de produtos e debates sobre território, identidade e resistência.
24/09 | São Luís (MA)
Lançamento do e-book Guardiãs da Floresta, às 18h, durante o I Seminário de História e Política da Educação, no Auditório do Curso de História da UEMA, Praia Grande.
24/09 – Regional Baixada (MA)
Celebração nos quilombos Santa Severa, em Cajari, e Santa Marina, em Matinha, a partir das 8h, com mutirão e competição de quebra de coco, roda de histórias, oficinas, sessão de fotos e vivência cultural.
26/09 – Pará
Celebração na Vila Ponta de Pedra do Araguaia, em São João do Araguaia, a partir das 8h, com debates sobre direitos, violência, regularização territorial e Babaçu Livre, além da inauguração da sede do grupo local.
30/09 – Regional Imperatriz (MA)
Ato na Câmara de Vereadores de Cidelândia em defesa dos direitos das quebradeiras e dos territórios.
Leia outras notícias em recordnewsma.com. Siga a Record News MA no Instagram, curta nossa página no Facebook e se inscreva em nosso canal no Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso WhatsApp (98) 99100-8186.




