Após três dias de assembleia, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) decidiu deflagrar “estado de greve” como forma de pressionar o governo federal por melhorias na categoria. A medida, que antecede a deflagração oficial de uma greve, abre caminho para que os agentes interrompam investigações, operações e suspendam serviços prestados à população já a partir da próxima semana.
A decisão unifica diferentes áreas da corporação. Agentes, escrivães, delegados, peritos e até policiais lotados em funções administrativas aderiram ao movimento, que tem como pauta principal a valorização profissional e a reposição salarial. Sob condição de reserva, um agente ouvido pela coluna classificou o atual patamar remuneratório como “muito injusto”.
Entre as reivindicações, os policiais apontam o acúmulo de atribuições sem a devida contrapartida financeira. Um dos exemplos citados é o registro de Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CACs), atividade que, segundo fontes da corporação, foi repassada à Polícia Federal sem a estrutura necessária, uma vez que anteriormente era de competência do Exército.
A categoria também demonstra insatisfação com a demora na implementação de medidas prometidas. O Fundo de Combate às Organizações Criminosas (Funcoc), anunciado no ano passado pelo então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, sequer saiu do papel. De acordo com fontes da corporação, a simples criação do fundo, sem efetividade, não seria suficiente para resolver os problemas estruturais da categoria. Esse foi um dos motivos apontados para a paralisação anunciada pelos delegados.
Até o momento, a categoria aguarda um retorno por parte do governo federal. Fontes ligadas ao movimento afirmam, no entanto, que não houve sinalização positiva vinda do Palácio do Planalto.
Diante da falta de diálogo, os policiais não descartam a realização de atos públicos nas próximas semanas. A avaliação interna é que a paralisação dos serviços e a ida às ruas podem expor uma suposta fragilidade do governo, além de demonstrar uma aparente inércia no combate ao crime organizado.
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