A guerra no Oriente Médio atingiu um novo e preocupante patamar nas últimas horas. Pela primeira vez desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, a infraestrutura de energia do Irã foi alvo de uma ofensiva militar. Ação israelense contra a imensa reserva de gás de South Pars provocou uma rápida retaliação iraniana contra o Catar, elevando a crise a um nível que a diplomacia internacional tentava evitar e causando um choque imediato nos mercados globais de energia.
Durante a madrugada, Israel bombardeou os campos de South Pars, a maior reserva de gás natural do Irã, localizada em uma área compartilhada com o Catar. A região, que contém cerca de 1.800 trilhão de pés cúbicos de gás utilizável, tem capacidade estimada para suprir a demanda mundial por 13 anos.
Em resposta, Teerã lançou um intenso ataque contra instalações energéticas de aliados dos Estados Unidos no Golfo. O principal alvo foi Ras Laffan, no Catar, uma área industrial que abriga o maior centro de processamento de gás natural do mundo e uma das maiores instalações de exportação de gás natural liquefeito do planeta. Fontes indicam que os ataques causaram “danos extensos” ao local, acendendo um alerta imediato sobre o fornecimento global de energia. Mísseis e drones também atingiram refinarias na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait.
A escalada militar foi acompanhada por uma troca de ameaças. Um porta-voz do comando central militar iraniano advertiu que a infraestrutura energética de seus inimigos e aliados será alvo de ataques até a “destruição completa”, caso novas ofensivas atinjam as instalações da República Islâmica. “Advertimos o inimigo de que vocês cometeram um grande erro ao atacar a infraestrutura energética do Irã”, declarou o porta-voz, prometendo uma resposta “muito mais severa” se o fato se repetir.
Diante da crise, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, posicionou-se de forma contundente. Em postagem nas redes sociais, afirmou que os Estados Unidos não tinham conhecimento prévio do ataque israelense e classificou a retaliação iraniana contra o Catar como “injustificada”. Trump garantiu que Israel não atacará novamente o campo de South Pars, a menos que o Irã ataque outra “nação inocente”. Em um tom de ultimato, advertiu que, se o Catar for atacado novamente, os EUA responderão “explodindo massivamente toda a extensão do Campo de Gás de South Pars com uma força e potência nunca antes vistas”.
Nos bastidores, a administração americana avalia os próximos passos. Fontes do governo ouvidas pela agência Reuters indicam que a Casa Branca considera o envio de tropas para a região. Paralelamente, a imprensa norte-americana revela que o Pentágono já projeta a necessidade de um orçamento suplementar de US$ 200 bilhões para fazer frente à escalada do conflito.
O governo do Catar, por sua vez, manifestou-se oficialmente. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores condenou “nos termos mais fortes” os ataques iranianos às instalações de energia nos países vizinhos, classificando a ação como uma “violação flagrante dos princípios do direito internacional” e uma “séria ameaça” à segurança energética global. A nota acrescenta que as “agressões brutais iranianas” ultrapassaram “todas as linhas vermelhas”.
Mercados em alerta
O temor de um conflito prolongado no coração da produção mundial de energia já se reflete nos números. Na Europa, o preço do gás natural disparou 30% em poucas horas. Desde o início do conflito, em fevereiro, a alta acumulada já chega a 60%.
O preço do barril de petróleo Brent também reagiu, subindo 4% e alcançando US$ 112 no início do pregão asiático. O petróleo nos Estados Unidos registrou alta de 3%, cotado a US$ 99,27. O clima de incerteza derrubou as bolsas de valores da região: o índice sul-coreano Kospi caiu 3%, enquanto o japonês Nikkei 225 recuou 2,8%.
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