As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram que iniciarão, a partir das 11h desta segunda-feira (13), um bloqueio no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, por onde escoa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. A decisão foi tomada após o colapso das negociações de cessar-fogo entre Washington e Teerã realizadas no fim de semana, que tinham como ponto central o programa nuclear iraniano.
O presidente Donald Trump antecipou a medida em suas redes sociais, afirmando ter instruído a Marinha a interceptar embarcações associadas ao pagamento de taxas ao Irã para transitar pelo estreito. Mais tarde, o Comando Central dos EUA (Centcom) esclareceu que a ação será limitada a navios que entram ou saem de portos iranianos, afastando a hipótese de um bloqueio total da via marítima.
A repercussão nos mercados foi imediata. O petróleo tipo Brent superou a marca de US$ 100 por barril, registrando alta superior a 7%. O movimento reflete o temor de interrupções no fornecimento global de energia, em um momento de já elevada incerteza no Oriente Médio.
O fluxo de navios na região sofreu redução drástica desde o início do conflito. Antes da guerra, cerca de 130 embarcações cruzavam diariamente o Estreito de Ormuz. Atualmente, esse número caiu para menos de dez na maioria dos dias.
Impacto do bloqueio é considerado limitado
Especialistas avaliam que o efeito direto da medida pode ser mais restrito do que seu impacto simbólico. Segundo analistas do setor marítimo, o número de embarcações ainda operando na região é reduzido, e aquelas que eventualmente pagam taxas ao Irã já estão sujeitas a sanções estadunidenses. Ainda assim, o anúncio contribui para elevar a percepção de risco global, especialmente em um ponto sensível da cadeia energética internacional.
As declarações de Trump foram acompanhadas de tom agressivo, com promessas de retaliação a qualquer ataque iraniano. Em resposta, forças navais da Guarda Revolucionária do Irã afirmaram que embarcações militares estrangeiras que se aproximarem do estreito poderão ser consideradas em violação do cessar-fogo e “tratadas severamente”. Autoridades iranianas também rejeitaram as ameaças estadunidenses e afirmaram que o país não cederá a pressões externas, destacando a falta de confiança nas negociações com os EUA.
Programa nuclear segue como principal impasse
O ponto central do fracasso diplomático foi o programa nuclear iraniano. Segundo Trump, embora a maioria dos temas tenha avançado nas negociações conduzidas pelo vice-presidente J.D. Vance, o Irã não aceitou abrir mão de suas ambições nucleares. Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Teerã participou das conversas com “boa-fé”, mas reiterou a desconfiança histórica em relação aos Estados Unidos e cobrou garantias concretas.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo global passava pela região, conectando produtores do Oriente Médio a mercados na Ásia, Europa e América do Norte. Além do petróleo, a rota é essencial para o transporte de gás natural liquefeito e insumos estratégicos, como fertilizantes. A instabilidade no estreito tem impacto quase imediato nos preços internacionais e nas cadeias de abastecimento globais.
Cenário permanece incerto
Apesar de declarações otimistas por parte de Washington sobre uma possível retomada das negociações, o cenário segue marcado por incerteza e escalada retórica. A combinação de tensões militares, impasse diplomático e restrições ao tráfego marítimo mantém o Oriente Médio como foco de atenção global, com potencial de impacto direto sobre a economia mundial nos próximos dias.
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