O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou nota oficial, nesta quinta-feira, em defesa do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo. O governo americano afirmou que a decisão judicial se insere em um “padrão de perseguição e guerra jurídica (lawfare) por parte dos tribunais brasileiros contra sua oposição política”.
A manifestação, atribuída a um porta-voz da pasta comandada pelo republicano Marco Rubio, foi publicada inicialmente pela agência Reuters. Na nota, os EUA sustentam que “os debates políticos devem ser resolvidos por eleições democráticas e não por condenações”.
A condenação de Eduardo Bolsonaro ocorreu após ele ser acusado de articular sanções junto ao governo americano contra magistrados do STF. O ex-deputado, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve a prisão determinada em decisão que ainda cabe recurso.
A manifestação diplomática americana ocorre em meio a um afastamento político entre os dois países. No início do mês, o secretário Marco Rubio excluiu o Brasil de uma lista de aliados dos EUA na América Latina. Durante uma sessão do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, Rubio classificou a relação com o governo brasileiro como problemática, ao lado de nações como Nicarágua, Cuba e Venezuela.
“É incrível que, tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e, claro, Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, e até certo ponto, o atual governo da Colômbia também, pelo menos o presidente tem sido problemático, é uma região cheia de aliados e líderes amigáveis aos Estados Unidos”, afirmou Rubio.
O caso também foi mencionado pelo presidente Donald Trump durante a Cúpula do G7, na quarta-feira. Trump disse ter ouvido falar que “prenderam o Bolsonaro Jr.”, mas confundiu o ex-deputado com o irmão, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao afirmar que ele estava “indo bem nas pesquisas”. Flávio é o pré-candidato do PL à Presidência da República.
“Tem sido desagradável. Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele (Lula) e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele”, declarou Trump.
Até o fechamento desta edição, o Itamaraty não havia se manifestado oficialmente sobre as declarações do governo americano. O STF também não comentou a nota do Departamento de Estado. Procurada, a defesa de Eduardo Bolsonaro não retornou os contatos.
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