Enquanto os homicídios em geral apresentaram queda de 11% no último ano, os feminicídios no Maranhão cresceram quase 1% no mesmo período. A contradição estatística, destacada pela primeira-subdefensora-geral do estado, Cristiane Marques, expõe a urgência do projeto “Tia Lú é Mulher”, iniciativa da Defensoria Pública que será apresentada como política pública de referência na Brasil Conference, realizada pelas universidades de Harvard e MIT, nos Estados Unidos.
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“Os dados mostraram que a violência contra mulher e os feminicídios aumentaram. Enquanto as mortes violentas, os homicídios, diminuíram em onze por cento, os feminicídios aumentaram em quase um por cento. Isso mostra que a violência contra a mulher ela está na contramão do que vem acontecendo”, afirmou Cristiane Marques, que representará a Defensoria no evento internacional.
O aumento específico dos assassinatos de mulheres (crimes cometidos em contexto de violência doméstica ou por motivação de gênero) sinaliza, segundo a defensora, a necessidade de estratégias que vão além do atendimento às vítimas. “Isso mostra que a gente precisa trabalhar não só com aquelas mulheres que estão sofrendo violência, mas principalmente com a sociedade, com os homens”, analisou.
O projeto “Tia Lú é Mulher”, que já atendeu mais de quatro mil mulheres no estado, atua em três frentes: atendimento jurídico e psicossocial, capacitação financeira para autonomia das vítimas e mobilização social por meio de audiências públicas. A seleção para a conferência internacional visa atrair mais atenção para a causa e buscar modelos que possam ser adaptados ao contexto local.
Para a defensora, o combate eficaz exige uma mudança cultural. Ela citou a normalização de comportamentos violentos, até mesmo exibidos em programas de televisão, como um obstáculo a ser superado. “Precisamos quebrar essa barreira de que a mulher tenha medo de pedir ajuda e que a sociedade seja essa força para encorajá-la”, disse, referindo-se a casos em que agressões são testemunhadas sem que haja intervenção.
Além do projeto, a Defensoria mantém canais de atendimento permanentes, incluindo o núcleo especializado na Casa da Mulher Brasileira, em São Luís, e a ferramenta online “Defensoria Protetiva”, para pedidos de medida protetiva de urgência. A expectativa é que a experiência em Harvard traça novas perspectivas para ampliar o alcance dessas ações no estado.
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