São Luís amanhece neste sábado com uma programação especial dedicada à valorização da cultura afro-brasileira e ao fortalecimento do protagonismo feminino nos quilombos maranhenses. O Centro Cultural Mandingueiros do Amanhã promove o lançamento oficial do Projeto Agojies Quilombolas, iniciativa que, após mais de uma década de atuação em comunidades tradicionais, criou uma estratégia focada em garantir a presença e a continuidade de meninas e jovens mulheres na capoeira e em outras manifestações culturais.
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Idealizado a partir da observação da evasão feminina na prática da capoeira ao chegarem na juventude e fase adulta, o projeto foi contemplado em uma chamada pública do Instituto Cultural Vale por meio da Lei Rouanet. O objetivo central é fortalecer a identidade quilombola e o orgulho de pertencimento, utilizando a cultura como ferramenta de resistência e permanência nos territórios.
A programação de lançamento ocorre na sede do centro cultural, localizada na Rua da Estrela, no número que abriga o tradicional ponto cultural “debaixo da mangueira”, próximo ao Museu do Reggae. As atividades começam às 8h30 com uma oficina de capoeira angola, ministrada pela contramestra Érica, natural de um quilombo urbano no Rio de Janeiro. Em seguida, será realizada uma roda de capoeira. A oficina tem capacidade para até 100 participantes e é aberta ao público.
Às 11h, o mestre Bamba comanda uma oficina de percussão. Já às 15h30, está prevista uma roda de conversa para discutir a participação da mulher na capoeira e as questões de gênero, em alusão à proximidade do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. O ponto alto do evento está marcado para as 18h30, com a primeira apresentação da Banda Agogôs Quilombolas, formada por mulheres, seguida de uma roda de tambor de crioula.
Trajetórias e ancestralidade
Para a professora Valdira Barros, doutora em políticas públicas e representante do centro cultural, o projeto representa a materialização de um trabalho contínuo de fortalecimento da identidade quilombola. Ela destaca a importância de oferecer perspectivas para que os jovens possam vislumbrar um futuro em suas comunidades de origem, utilizando sua própria cultura como base.
“A grande força das comunidades quilombolas reside na cultura. O propósito é fortalecer essa identidade, esse orgulho de ser quilombola”, afirma, explicando que a iniciativa busca combater o êxodo para os grandes centros urbanos ao demonstrar que é possível permanecer nos quilombos a partir do que foi construído pela resistência e tradição.
A força transformadora da cultura é ecoada no depoimento de Josielma Rodrigues, moradora do quilombo Santa Joana, localizado no município de Itapecuru Mirim. Mestra e integrante do projeto, ela credita à capoeira e a outras manifestações, como o tambor de mina e a dança do coco, a abertura de novos caminhos dentro e fora de sua comunidade. “A capoeira abriu meus caminhos e de outros jovens lá do meu quilombo. Através dela, fui muito além do que minha imaginação alcançava. Sou muito grata”, relata.
Um marco para a cultura
O projeto Agogôs Quilombolas prevê ainda a produção de um espetáculo que será apresentado em São Luís, em novembro, e também no Rio de Janeiro. Para a apresentação na capital fluminense, está previsto um grupo de 30 a 35 mulheres, sendo a maioria proveniente de seis quilombos onde o centro cultural atua.
A idealizadora do projeto reforça o convite para que a população de São Luís participe do lançamento e celebra a conquista do financiamento por meio de políticas culturais. “A gente conseguiu concorrer com vários projetos no Brasil e ser selecionado com um projeto protagonizado por mulheres negras. Isso só foi possível graças a essas políticas e ao patrocínio. Queremos fortalecer nessas jovens a possibilidade de sonhar e realizar o que elas quiserem”, conclui.
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