Estado concentra 40.076 eleitores autodeclarados quilombolas aptos a votar, segundo levantamento da Agência Tatu com dados do TSE
O Maranhão é o estado com o maior eleitorado quilombola do Brasil. Para as eleições de 2026, são 40.076 eleitores autodeclarados quilombolas aptos a votar no estado, contra 23.471 registrados em 2024, crescimento de 70,7% no período. Os dados são de um levantamento da Agência Tatu com base nas informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O número coloca o Maranhão à frente da Bahia, que registra 26.850 eleitores quilombolas em 2026, e do Pará, com 23.422. Em termos absolutos, os três estados nordestinos e nortistas concentram o maior contingente quilombola do país, reflexo direto da distribuição histórica dessa população no território brasileiro.
O dado eleitoral acompanha o retrato traçado pelo Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou o Nordeste como a região com maior concentração de população quilombola do Brasil, responsável por 70% do total nacional. Maranhão e Bahia, juntos, reuniam metade de toda essa população no país.
No cenário nacional, o eleitorado quilombola chegou a 187.481 aptos a votar em 2026, alta de 96,5% em relação a 2024, quando eram 95.409. O crescimento do Maranhão, de 70,7%, ficou abaixo da média nacional, mas o volume absoluto mantém o estado como principal referência do eleitorado quilombola no Brasil.
Cadastro em expansão
O cientista político Bhreno Vieira, doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), avalia que os números não refletem necessariamente um crescimento da população quilombola dentro do eleitorado, mas sim uma melhora progressiva na qualidade das informações registradas pelos Tribunais Regionais Eleitorais e repassadas ao TSE.
A autodeclaração quilombola passou a integrar o cadastro eleitoral após uma resolução de 2022 e ainda está em processo de implementação em todo o país. Segundo Vieira, a taxa média de não informação ainda chega a 80% do eleitorado, o que indica que o número real de eleitores quilombolas é significativamente maior do que o registrado até agora.
Para o pesquisador, o principal efeito revelado pelos dados é o aumento da visibilidade dessas comunidades perante o Estado e os agentes políticos. O crescimento do cadastro tende a chamar atenção para as demandas específicas de um eleitorado historicamente sub-representado nas instâncias de poder.
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