Organização disponibilizou ferramentas de cooperação internacional; mãe das crianças deve se reunir com PF nesta quarta-feira (9). Não há indícios de que Ágatha e Allan estejam entre resgatados nos EUA.
A Interpol ofereceu apoio técnico e operacional às buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde 4 de janeiro deste ano na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão. A informação foi confirmada pela advogada da família, Nathaly Moraes, que recebeu contato do Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal (PF) colocando as ferramentas da organização à disposição do caso.
O apoio, segundo a advogada, representa uma mudança na postura das autoridades federais em relação ao caso. Até então, a família relatava não contar com esse tipo de suporte. As ferramentas da Interpol podem auxiliar na localização das crianças em 197 países e também em eventuais procedimentos de repatriação, caso sejam encontradas fora do território brasileiro.
A mãe das crianças, Clarice Cardoso, deve se reunir nesta quarta-feira (9) com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional na sede da Polícia Federal, em São Luís. O encontro tem como objetivo esclarecer como os recursos oferecidos pela Interpol serão aplicados na investigação e quais os próximos passos no âmbito da cooperação internacional.
A advogada da família explicou que as ferramentas disponibilizadas são relevantes tanto para a busca ativa quanto para o retorno das crianças, caso estejam em outro país. “Essas ferramentas ajudam tanto na busca pelas crianças quanto na repatriação, para trazer as crianças de volta, caso sejam encontradas em outros países”, afirmou Nathaly.
A atuação da Interpol, no entanto, não significa que Ágatha e Allan tenham sido localizados. Também não há qualquer informação que relacione o desaparecimento dos irmãos ao resgate de 163 crianças nos Estados Unidos, ocorrido recentemente. A advogada informou que o Consulado Brasileiro acompanha a situação e mantém contato com as autoridades americanas para verificar a identidade das crianças resgatadas, algumas das quais ainda não foram reconhecidas.
A solicitação de transferência da investigação da Polícia Civil para a Polícia Federal já havia sido feita anteriormente pela defesa da família, sob a hipótese de possível envolvimento de tráfico humano. Na ocasião, o pedido foi arquivado por falta de indícios suficientes. Com a nova manifestação do Núcleo de Cooperação Internacional, a advogada avalia que houve uma mudança no apoio recebido até o momento.
O desaparecimento dos irmãos completou oito meses na última sexta-feira (4) sem que pistas concretas sobre o paradeiro das crianças tenham sido divulgadas. As buscas mobilizaram forças de segurança, voluntários e parlamentares. Em maio, representantes da Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil estiveram na comunidade para ouvir a mãe e as autoridades responsáveis pela investigação.
Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) afirmou que os trabalhos para localizar as crianças seguem em andamento e que detalhes não podem ser divulgados devido ao sigilo processual. A secretaria reforçou que informações sobre o paradeiro dos irmãos podem ser repassadas anonimamente pelos telefones 190, da Polícia Militar, ou 181, do Disque-Denúncia.
A Polícia Federal e a Interpol foram procuradas para comentar o andamento das investigações, mas não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O espaço está aberto para eventuais posicionamentos.
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