Ministro da Fazenda afirma que endividamento brasileiro, de 80% do PIB, é inferior ao de EUA e Japão, mas admite que situação “não está boa” e que juros são o principal fator de pressão
Em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco nesta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que a dívida pública brasileira, embora elevada, encontra-se sob controle e em patamar inferior ao de diversas economias desenvolvidas. A declaração ocorre em meio a um cenário de atenção do mercado fiscal e de pressão por medidas que assegurem a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo.
Durigan argumentou que não existe um limite único internacional para o endividamento dos países e que a situação fiscal deve ser analisada conforme as particularidades de cada economia. Segundo ele, a dívida bruta do Brasil está entre 80% e 81% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto países como Estados Unidos, nações europeias, China e Japão alcançam níveis que chegam a 200%.
“Não estou comparando para dizer que o nosso está bom, porque o nosso não está bom”, ponderou o ministro, em um reconhecimento de que o patamar atual não é confortável. Ele afirmou que as projeções mais conservadoras do Tesouro Nacional indicam que a dívida continuará crescendo até 2030, quando começará a se reduzir em termos proporcionais ao PIB.
O ministro atribuiu o principal fator de pressão sobre o endividamento aos juros pagos pelo governo para rolar a dívida. “O grande desafio é mostrar que, já que a gente não tem déficit primário. O que explica hoje o endividamento são os juros no país”, declarou, referindo-se ao fato de o resultado primário estar zerado desde 2024. Ele defendeu que a redução desse custo depende da construção de confiança na condução da economia, que traria tranquilidade para investidores e permitiria a diminuição do endividamento ao longo do tempo.
Durigan também usou o espaço para criticar o presidente da Argentina, Javier Milei, a quem chamou de “palhaço”. A ofensa foi uma resposta às falas do argentino durante evento político no Brasil no último sábado (25). Segundo o ministro, os indicadores econômicos do Brasil são superiores aos da Argentina, com menor risco-país, inflação e desemprego. “Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar apocalipse”, afirmou Durigan, ao mencionar previsões pessimistas para a economia brasileira.
Em linha com a estratégia de reforçar o compromisso com a austeridade, Durigan afirmou que o governo estuda endurecer o arcabouço fiscal e contingenciar o crescimento dos gastos obrigatórios para gerar espaço para investimentos. Uma das possibilidades em análise é reduzir o ritmo de expansão real do Orçamento. O ministro também sinalizou a necessidade de discutir a revisão dos pisos constitucionais da saúde e da educação, que crescem atrelados à receita e podem pressionar as contas.
A avaliação do ministro sobre a necessidade de consolidar as contas públicas como forma de blindar o país contra um ambiente global incerto ecoa o discurso de que o Brasil precisa se tornar um “porto seguro” para investimentos em um mundo marcado por conflitos geopolíticos e tensões econômicas.
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