São Luís amanheceu, nesta sexta-feira (13), sem o funcionamento dos ônibus do sistema urbano. A paralisação, que já havia sido anunciada pelo Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, foi confirmada nas primeiras horas do dia, deixando a população que depende do transporte coletivo sem alternativa imediata para se deslocar pela capital.
A categoria decidiu cruzar os braços após o não pagamento do salário com o reajuste de 5,5%, conforme determinado pela Justiça. Segundo o sindicato, os trabalhadores aguardam o pagamento desde o dia 20 de fevereiro. A decisão judicial ocorreu após a falta de acordo entre o sindicato dos rodoviários e o sindicato das empresas. Representantes dos trabalhadores afirmam que notificaram os órgãos competentes e enviaram comunicados por meio de advogados ao longo do período, mas os empresários não efetuaram o pagamento.
Diferente do sistema urbano, os coletivos do sistema semiurbano, que atendem bairros de São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar, saíram das garagens. De acordo com a categoria, houve o pagamento do salário reajustado nessas linhas. Apesar de estarem em operação, esses ônibus não estão entrando nos terminais de integração da capital, medida já adotada em outros movimentos grevistas da categoria.
A paralisação impactou diretamente a rotina dos usuários. Com a redução da frota, as longas esperas e a superlotação dos veículos em circulação marcaram o dia. Passageiros relataram que o tempo de deslocamento mais que dobrou. Uma trabalhadora que depende do transporte público afirmou que saiu de casa às 7h e só chegou ao destino por volta das 10h. Ela destacou a chuva como um agravante para quem espera em paradas sem abrigo adequado.
Outra passageira, que utilizava um carrinho de feira, afirmou que desistiu de seguir viagem devido à lotação. Segundo ela, a dificuldade para embarcar foi tamanha que outra pessoa que tentou subir quase caiu. Ela classificou a situação como falta de vergonha e afirmou não ter a quem recorrer.
A greve estava prevista inicialmente para quinta-feira, mas foi remarcada pelo sindicato por orientação do departamento jurídico da entidade.
Diante do cenário, o prefeito Eduardo Braide compareceu à sede da Polícia Federal para registrar uma representação criminal com pedido de instauração de inquérito. O objetivo é apurar as causas das paralisações no transporte da cidade. Braide mencionou a possibilidade de crime contra a organização do trabalho, descumprimento de decisões judiciais e violação do direito de ir e vir da população. Ele afirmou confiar na investigação da Polícia Federal para identificar os responsáveis e evitar que a cidade volte a ser refém de situações semelhantes.
O Sindicato das Empresas de Transporte (SET) divulgou nota informando que o subsídio pago pela prefeitura permanece o mesmo desde janeiro de 2024. A entidade alega que, mesmo com dois reajustes salariais concedidos aos trabalhadores e o aumento de outros custos operacionais, o valor do subsídio não foi atualizado. O SET também informou que não houve acordo na Justiça do Trabalho e que a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) não compareceu às reuniões de conciliação.
Na esfera judicial, o desembargador Francisco José de Carvalho Neto, do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região, determinou a redistribuição imediata de uma ação cautelar movida pela prefeitura. O município ajuizou uma ação tutelar cautelar contra o sindicato dos rodoviários, o sindicato das empresas e os consórcios que operam na capital. A gestão solicita a concessão de tutela de urgência para declarar a abusividade da greve e garantir a manutenção integral da frota ou, alternativamente, a circulação de um percentual mínimo de veículos para atender a população.
Ao analisar o pedido, o desembargador destacou que, por se tratar de conflito coletivo de trabalho e envolver o direito de greve, a matéria está sujeita a normas regimentais específicas.
Leia outras notícias em recordnewsma.com. Siga a Record News MA no Instagram, curta nossa página no Facebook e se inscreva em nosso canal no Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso WhatsApp (98) 99100-8186.




