A Câmara Municipal de São Luís realizou, na tarde da última segunda-feira (14), no Plenário Simão Estácio da Silveira, uma audiência pública com o tema “Kitesurf em São Luís: segurança, regulamentação e turismo esportivo”. A iniciativa foi do vereador Cléber Verde Filho (MDB), no âmbito da Comissão de Educação, Cultura, Desporto e Lazer, e reuniu representantes do poder público, entidades esportivas, profissionais e praticantes da modalidade.
O encontro teve como objetivo discutir medidas de segurança, regulamentação, ordenamento e fortalecimento do turismo esportivo na capital maranhense. O debate ganhou ainda mais relevância após o acidente que vitimou o kitesurfista Alan Wesley Pinto Ribeiro, de 29 anos, em agosto. Ele desapareceu na manhã do dia 15, após cair no mar enquanto praticava kitesurf na Praia de São Marcos. O corpo foi localizado no dia seguinte, na Praia do Bonfim, na região do Itaqui-Bacanga.
Para o vereador Cléber Verde Filho, a discussão deve ser conduzida principalmente sob a perspectiva da preservação de vidas. Ele afirmou que a audiência foi pensada desde o ano passado, depois de ouvir praticantes e estudar o tema, e que não se partia de uma folha em branco, já que existem estudos, debates e conhecimento acumulado. Segundo o parlamentar, o que se precisa saber agora é se esse planejamento está funcionando na realidade.
Cléber Verde Filho destacou que São Luís já possui legislação municipal que disciplina a prática do kitesurf, estabelecendo regras relacionadas às áreas de prática, preparação, distanciamento e fiscalização. Ele também lembrou que, em 2026, foi formada uma comissão com representantes das áreas de Turismo, Esporte, Meio Ambiente e Urbanismo, além da Capitania dos Portos, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e comunidade de praticantes. De acordo com o vereador, é necessário aperfeiçoar as normas para garantir legitimidade e efetividade.
O atleta olímpico Bruno Lobo defendeu o fortalecimento da regulamentação e dos critérios para o ensino do esporte. Ele destacou que o crescimento da modalidade em São Luís também trouxe desafios relacionados à formação de novos praticantes. Segundo Bruno Lobo, a capital tem a condição perfeita para se transformar na capital do kitesurf, mas o crescimento do esporte veio acompanhado de um avanço, de certa forma, desordenado do ensino. Ele ressaltou a necessidade de regulamentação e de respeito a um processo de formação para que o esportista esteja preparado diante de um eventual incidente.
Bruno Lobo também defendeu a adoção de critérios de credenciamento para instrutores, incluindo capacitação em salvamento aquático, além do uso obrigatório de equipamentos de segurança, como capacete e colete. O atleta ressaltou ainda que o kitesurf divide o espaço da praia com os banhistas, que devem ter prioridade, e que treinamento adequado e organização são fundamentais para reduzir riscos.
O capitão Gilberto, do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, reforçou a preocupação com a segurança e chamou atenção para situações em que praticantes deixam de utilizar equipamentos de proteção. Representantes da Guarda Municipal, do esporte e do turismo também destacaram a necessidade de conciliar a prática esportiva com a circulação de banhistas e o potencial econômico da atividade.
Antônio Carlos, inspetor e gestor do Grupamento de Guarda-Vidas de São Luís, defendeu o respeito às condições marítimas e às normas existentes. Romário Barros, da Secretaria Municipal de Desporto e Lazer (Semdel), ressaltou que a organização da atividade precisa considerar toda a cadeia econômica formada pelo kitesurf, incluindo professores, vendedores e outros profissionais. Já Ruan Tavares, secretário adjunto de Estado do Turismo (Setur), destacou o potencial do turismo náutico para a capital, afirmando que São Luís tem grande capacidade de desenvolver esses esportes, gerando renda e impulsionando o turismo.
A comunidade de kitesurfistas também apresentou demandas e sugestões durante a audiência. Vinícius Félix, representante da escola Kanaloa, destacou que a modalidade movimenta diretamente diversas famílias e criticou a associação do esporte exclusivamente à elite. Outros representantes de empresas e trabalhadores do segmento defenderam mudanças para garantir segurança aos banhistas e melhores condições aos esportistas, além de maior integração entre praticantes de diferentes municípios.
Ao final, Cléber Verde Filho afirmou que propostas de legislação, normas e planejamento já foram encaminhadas ao Executivo e defendeu o fortalecimento da Guarda Municipal para acompanhar o crescimento da modalidade. O vereador concluiu dizendo que a Câmara está à disposição do segmento para contribuir com a efetivação do que foi discutido e garantir que o kitesurf seja praticado de forma mais segura para todos, esportistas e banhistas.
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