O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue à frente da corrida presidencial de 2026, mas enfrenta um adversário que cresce nas pesquisas e uma avaliação de governo que permanece polarizada. É o que revela a quarta rodada da pesquisa BTG/Nexus sobre as eleições presidenciais de 2026, divulgada nesta segunda-feira, 15 de junho. O levantamento ouviu 2.017 eleitores entre os dias 12 e 14 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
No cenário espontâneo, sem lista de candidatos apresentada ao entrevistado, Lula aparece com 36% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, com 27%. Os demais candidatos citados não passaram de 3%.
Quando a pesquisa apresenta uma lista de nomes ao eleitor, o quadro se confirma. No primeiro cenário estimulado, Lula obtém 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado (União Brasil) e Renan Santos (MBL) aparecem empatados com 4% cada. Romeu Zema (Novo) e Joaquim Barbosa (PSB) registram 2% cada.
Em um segundo cenário estimulado, com lista ligeiramente diferente de candidatos, Lula sobe para 43% e Flávio Bolsonaro vai a 34%. A pesquisa aponta que 41% dos eleitores que declaram intenção de voto em Lula o citam nos dois cenários, enquanto 32% fazem o mesmo com Flávio Bolsonaro.
A solidez do voto também é um indicador relevante: entre os que escolheram algum candidato no primeiro cenário estimulado, 73% afirmam que a decisão já está tomada e não deve mudar até outubro. Entre os eleitores de Lula, esse índice chega a 81%. Entre os de Flávio Bolsonaro, é de 77%. Os candidatos mais distantes na disputa apresentam eleitores bem menos firmes: apenas 19% dos que declaram voto em Augusto Cury afirmam que a decisão está consolidada.
Segundo turno em aberto
A pesquisa também simulou disputas no segundo turno entre Lula e diferentes adversários. Em todos os cenários, o presidente aparece à frente, mas sem margem confortável. Contra Flávio Bolsonaro, Lula marca 49% contra 43%. Nos demais cenários, o presidente registra 49% contra Romeu Zema (39%), 48% contra Ronaldo Caiado (39%) e 49% contra Renan Santos (36%). Os índices de brancos, nulos e indecisos variam entre 8% e 13% dependendo do confronto.
Na série histórica, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno permanece praticamente estável ao longo das quatro rodadas da pesquisa, oscilando dentro da margem de erro desde março de 2026.
Avaliação do governo divide o eleitorado
A avaliação do governo Lula segue polarizada. Na rodada mais recente, 38% dos entrevistados consideram o governo ótimo ou bom, enquanto 41% o avaliam como ruim ou péssimo. Os 21% restantes o classificam como regular.
Em comparação com a rodada anterior, de 25 de maio, houve uma ligeira queda na avaliação positiva, que estava em 40%, e uma pequena alta na avaliação negativa, que marcava 37%. A parcela que avalia o governo como regular se manteve estável.
Polarização e perfis do eleitorado
A pesquisa mapeou o grau de polarização do eleitorado. Segundo o levantamento, 26% se identificam como “lulistas convictos” e outros 26% como “bolsonaristas convictos”. Outros 21% são classificados como “não polarizados”. Os grupos que veem o candidato adversário como alternativa aceitável representam parcelas menores: 6% são “Lula como alternativa” e 7% são “Bolsonaro como alternativa”. Já os que rejeitam tanto Lula quanto Bolsonaro totalizam 8% do eleitorado.
Entre os evangélicos, o apoio a Flávio Bolsonaro no primeiro turno chega a 48%, ante 27% de Lula. Entre os sem religião, a proporção se inverte: 53% declaram voto em Lula contra 19% em Flávio Bolsonaro.
Regionalmente, o Nordeste é o reduto mais forte de Lula, que ali registra 59% das intenções de voto estimuladas. No Sul, Flávio Bolsonaro lidera com 43% contra 34% de Lula.
Segurança e saúde lideram preocupações
Questionados sobre os principais problemas do Brasil, os entrevistados citaram em primeiro lugar segurança pública, violência e criminalidade (33% somando primeira e segunda citações), seguida por saúde pública (25%) e corrupção (23%). Inflação, custo de vida e desemprego aparecem com 11% e 10%, respectivamente.
Quanto à percepção da economia, 49% dos entrevistados avaliam a situação econômica do país como ruim ou péssima, enquanto 31% a consideram regular e 19% a veem como boa ou ótima.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06645/2026 e é de responsabilidade técnica do estatístico Neale El-Dash (Conre 8656-A). A direção do estudo esteve a cargo de Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, e André Jácomo, diretor de Pesquisa da Nexus.
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