A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira a Operação “Tá na Conta” para desarticular um esquema de corrupção eleitoral e violência política contra a mulher no município de Caxias, a 360 km de São Luís. As investigações apontam para a existência de um esquema de compra de renúncia de candidaturas, com o objetivo de desestabilizar partidos adversários e fraudar a cota de gênero nas eleições.
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Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão expedidos pela 19ª Zona Eleitoral. As diligências ocorreram em endereços residenciais e órgãos públicos em Caxias, no Maranhão, e em Teresina, no Piauí. Entre os investigados estão dois agentes públicos, cujos nomes não foram revelados.
De acordo com a apuração da PF, lideranças políticas locais atuavam como autoras intelectuais do esquema, oferecendo vantagens ilícitas para que candidatos adversários desistissem de suas candidaturas. A estratégia, segundo a investigação, tinha como alvo principal candidatas mulheres. A intenção era forçar a renúncia delas para inviabilizar chapas inteiras, burlando assim a cota de gênero que exige um percentual mínimo de candidaturas femininas.
Mensagens interceptadas pela polícia revelam que os investigados chegaram a oferecer R$ 50 mil e promessas de cargos públicos para que uma única candidata desistisse do pleito. As evidências mostram ainda que os chefes do esquema acompanhavam em tempo real as ações dos “executores”, chegando a receber fotografias das residências das vítimas durante as tentativas de suborno.
A operação, batizada de “Tá na Conta” em referência à suposta transferência dos valores ilícitos, é um desdobramento da análise de materiais apreendidos em fases anteriores da investigação. Durante o cumprimento dos mandados, foram autorizadas a apreensão de valores em espécie, dispositivos eletrônicos e documentos que possam ajudar a aprofundar as apurações.
Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção eleitoral e assédio eleitoral contra mulheres, cujas penas podem variar de multa a reclusão, dependendo da gravidade das condutas comprovadas. A Polícia Federal não divulgou detalhes sobre possíveis prisões ou a identidade dos envolvidos para não prejudicar o andamento das investigações.
