A política maranhense vive um período de tensão e realinhamentos, com focos de crise tanto no executivo municipal de São Luís quanto na bancada do PSB na Assembleia Legislativa. As informações vieram à tona durante participação no programa “Hora News”, do comunicador Análio Júnior, que recebeu o advogado e comentarista político Tiago Azevedo para analisar os bastidores do cenário local.
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Na esfera municipal, a exoneração do então secretário de Transportes e Trânsito (SMTT), Maurício Itapari, na véspera do Carnaval, tornou-se emblemática de um estilo de gestão. De acordo com a análise apresentada, o prefeito Eduardo Braide (PSB) mantém um relacionamento distante não apenas com a classe política, dialogando, segundo Azevedo, apenas com dois dos 31 vereadores da capital, mas também com seus próprios secretários. Itapari foi comunicado de seu desligamento via mensagem de WhatsApp por um assessor, sem oportunidade de discussão sobre os motivos.
Azevedo avaliou que a demissão seria uma tentativa do prefeito de atribuir os problemas crônicos do transporte coletivo ao ex-gestor. A pasta foi assumida por Manuela Fernandes, que, segundo o comentarista, já é alvo de especulações nos bastidores devido a supostos contratos do pai com a prefeitura, levantando questionamentos sobre “toma lá dá cá”.
No legislativo estadual, o PSB, partido do governador Carlos Brandão e que elegeu a maior bancada em 2022, passa por uma fragmentação. A legenda, agora sob a influência da senadora Ana Paula Lobato e de seu esposo, o deputado Othelino Neto, migrou para a oposição. A decisão desencadeou uma saída em massa de deputados para a base governista, com apenas três parlamentares permanecendo no partido: Aríston, Nagib e Iracema Vale.
A manutenção desse trio, conforme análise, teria motivações táticas e políticas. Aríston permaneceria por ser “apaziguador” e ligado ao governo. Nagib estaria sendo “punido” por, junto com seu pai, o prefeito de Codó, ter se alinhado a Brandão. Já a permanência da presidente da Assembleia, Iracema Vale, no partido de oposição, foi considerada uma “piada política”, uma vez que Othelino, agora líder do bloco, foi seu adversário na disputa pela mesa diretora.
O cenário ganha contornos eleitoreiros com a mudança do deputado federal Fernando Braide, irmão do prefeito, para o PSB. A movimentação gera incerteza sobre uma eventual candidatura de Eduardo Braide ao governo do estado, uma vez que o partido já teria acordos para lançar Fernando Braide e Othelino Neto como candidatos próprios ao Congresso. A dúvida que permanece nos bastidores, conforme pontuado, é se o prefeito de São Luís de fato entrará na disputa estadual no próximo ano.
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