Dados do Ministério da Saúde apontam uma queda significativa nas notificações de dengue no Maranhão e em todo o país no ano de 2025, em comparação com os recordes epidemiológicos do ano anterior. Apesar da redução, especialistas alertam para a necessidade de intensificar a prevenção com a chegada do período chuvoso, que favorece a proliferação do mosquito transmissor.
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No estado, foram registrados 5,3 mil casos prováveis da doença, representando uma redução de 52% em relação ao mesmo período de 2024, quando houve 11,1 mil notificações. Os óbitos também diminuíram: três mortes foram confirmadas em 2025, contra sete no ano anterior.
A tendência de queda é nacional. O Brasil contabilizou 1,6 milhão de casos prováveis no ano, uma queda de 75% na comparação com 2024. Os óbitos confirmados no país passaram de aproximadamente 5,7 mil para 1,6 mil, uma redução de 72%.
Período chuvoso exige atenção redobrada
A proximidade do verão e do período de chuvas acende um sinal de alerta. O aumento das temperaturas e da precipitação cria condições ideais para a reprodução do Aedes aegypti. Especialistas destacam que este é o momento crucial para eliminar criadouros, como água acumulada em vasos de plantas, garrafas, pneus e calhas.
A médica infectologista Silvia Fonseca, docente do IDOMED, explica que existem quatro tipos do vírus da dengue, sendo que qualquer um pode levar a casos graves que necessitam de internação. Ela alerta que uma pessoa pode contrair a doença mais de uma vez e que, em uma segunda infecção por um sorotipo diferente, o risco de evolução para formas graves é maior. Sintomas como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos e tontura indicam a necessidade de buscar atendimento médico imediatamente.
Vacinação e prevenção domiciliar são pilares do combate
Outro eixo fundamental no enfrentamento da dengue é a vacinação. O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante contra a dengue pelo Sistema Único de Saúde (SUS), priorizando, desde 2024, crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em municípios de maior risco. Até outubro de 2025, mais de 10,3 milhões de doses foram distribuídas, com outras 9 milhões previstas para 2026. A adesão à campanha é apontada como crucial para prevenir casos graves.
Paralelamente, o combate dentro de casa é considerado a medida mais eficaz. A professora de Biomedicina Camila Alvim, da Estácio, reforça que o mosquito se reproduz em água limpa e parada, e que a eliminação de recipientes que possam acumular água é uma atitude que salva vidas. Ela destaca ainda o papel da educação, principalmente nas escolas, onde crianças e jovens se tornam multiplicadores de informações sobre prevenção.
Para dar continuidade à estratégia, o Ministério da Saúde anunciou uma campanha nacional de vacinação contra a dengue para fevereiro de 2026, com o objetivo de ampliar a cobertura vacinal em todo o território nacional. A iniciativa pretende reduzir a circulação do vírus e prevenir óbitos, somando-se às ações de controle do mosquito. As especialistas concluem que, embora os números de 2025 sejam mais favoráveis, o combate à dengue é uma responsabilidade compartilhada que requer ações contínuas da população e do poder público.
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