Em um estúdio de entrevistas, a conversa gira em torno de tackles, passes e gols, mas o tema central vai muito além das quatro linhas. A “Escola de Futebol Geração Jovem”, projeto social que atua em diferentes bairros de São Luís, tem como principal meta afastar jovens da criminalidade e oferecer princípios para a vida, usando o esporte como porta de entrada.
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À frente do projeto está o professor Apolônio, que atua há anos com adolescentes. Ele deixa claro que seu trabalho não se confunde com uma simples escolinha de futebol. “É um projeto social de verdade”, definiu durante a participação em um programa local. A iniciativa, que não conta com patrocínio de grandes empresas, é mantida pelas contribuições dos pais dos alunos e pela dedicação do professor.
O princípio fundamental, segundo ele, não é a formação de atletas profissionais, embora isso possa acontecer. O foco está no que ele chama de “evangelização através do esporte”. “Quando a gente segue Jesus, a gente entende que os resultados vêm. Essa é a melhor colheita”, afirmou Apolônio, explicando sua motivação. Ele relatou que o trabalho é árduo e inclui, por exemplo, visitas à Fundação da Criança e do Adolescente (Funac) em busca de jovens em situação de vulnerabilidade.
A eficácia do método tem um exemplo concreto: a atleta Vitória Gabriele, de 13 anos. Revelada nas categorias de base do projeto, ela agora defende o Grêmio, de Porto Alegre. Vitória contou que a adaptação ao futebol sulista, com maior estrutura e nível técnico, foi um desafio, principalmente no que diz respeito ao clima e à distância da família. Seu sonho, além de jogar no time profissional, é dar uma casa para os pais. Como referência no futebol feminino, ela citou a craque Marta.
Questionado sobre a presença de meninas no projeto, o professor Apolônio explicou que Vitória foi uma exceção descoberta em um clube de base e que ele prioriza abrir portas para seus alunos, não retê-los. “Eu não vejo atleta, eu vejo uma oportunidade que ele pode ter lá na frente”, disse, detalhando como fez a ponte para a jogadora chegar ao Grêmio.
Atualmente, o “Geração Jovem” funciona em quatro locais na capital maranhense: Vila Bom Viver, Alto do Farol (na Arena Rubens), Cidade Operária (local onde nasceu o projeto) e no bairro Nestor, este último em parceria com a “Tenda de Davi”. O projeto atende crianças e adolescentes de 5 a 16 anos.
O trabalho, como descreveu o professor, é guiado por uma máxima: “Não é fácil você ir por qualquer caminho, mas seguir a palavra [de Deus] é difícil”. A recompensa, para ele, não está nas tabelas de classificação, mas em saber que está direcionando jovens para um “caminho de luz” e de paz.
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