Centenas de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que participaram dos bloqueios antidemocráticos em rodovias após as eleições de 2022 amargam agora um pesadelo financeiro. Levantamento obtido pela reportagem revela que os manifestantes e empresas de transporte envolvidas nas interdições foram multados em valores que variam de R$ 100 mil a impressionantes R$ 15,5 milhões.
As sanções, aplicadas pela União e homologadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro do ano passado, atingem tanto pessoas físicas quanto jurídicas. Os bloqueios contestavam o resultado das urnas, que deu a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com os critérios apresentados pela Advocacia-Geral da União (AGU) e referendados pelo STF, o valor mínimo da multa – R$ 100 mil – é aplicado para interdições de até uma hora. A cada hora adicional de obstrução, são acrescidos mais R$ 100 mil por veículo de um mesmo proprietário. O cálculo levou em consideração dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Em dezembro de 2025, a corte confirmou os valores individualizados e autorizou a execução das multas na Justiça Federal. Cerca de um mês atrás, o ministro Alexandre de Moraes delegou aos juízes do foro de cada devedor os atos necessários à liquidação das dívidas. Agora, cabe à União realizar efetivamente as cobranças.
Os devedores, em sua maioria, relatam surpresa com os montantes e afirmam não ter condições de arcar com os valores.
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