Os atletas paralímpicos brasileiros terão um novo aliado na busca por medalhas nos Jogos de Los Angeles, em 2028. O Centro Multiprofissional de Estudos Paralímpico e Paraesportivo (CMEPP), vinculado ao Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), foi lançado com a missão de melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência por meio do esporte e aumentar o desempenho de paratletas. A iniciativa também prevê o desenvolvimento de ferramentas com tecnologias vestíveis e realidade estendida (XR games) para estimular a prática de exercícios em casa por pessoas com dificuldade de locomoção.
O coordenador do CMEPP, José Cesar Rosa Neto, explicou que há poucos estudos com atletas paralímpicos e que o conhecimento sobre esporte de alto rendimento nem sempre se aplica a eles. Ele citou como exemplo os marcadores de overtraining, como a creatina quinase, e os indicadores de estresse, como cortisol e taxa de neutrófilos e linfócitos, que não funcionam para esses atletas porque eles já apresentam níveis alterados antes mesmo do exercício.
O lançamento oficial do CMEPP e de outros três centros ocorreu na quinta-feira (09/04) no auditório da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), em parceria com a FAPESP e universidades paulistas.
Tecnologia para inclusão escolar
Outro centro apresentado foi o Centro de Inclusão e Acessibilidade por Meio da Tecnologia (CIATec), sediado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH-USP). O projeto pretende criar uma plataforma digital nos moldes de uma “Netflix da educação inclusiva”, com jogos educativos adaptativos para estudantes com transtorno do espectro autista (TEA). O coordenador do CIATec, Carlos Bandeira de Mello Monteiro, detalhou que, por meio de inteligência artificial, a dificuldade e a dinâmica dos jogos serão calibradas em tempo real conforme o perfil neurológico de cada aluno, permitindo que todos joguem juntos.
Já o Centro de Tecnologia Assistiva e Inclusão Escolar (CTAIE), da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) em colaboração com o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), vai mapear as necessidades de acessibilidade nas escolas públicas. A coordenadora Maria Cecília Martinelli afirmou que o centro desenvolverá dispositivos assistivos personalizados, como órteses e próteses em 3D, e oferecerá formação continuada para professores.
Foco na deficiência visual
O quarto centro lançado é o Centro de Pesquisa e Orientação sobre Deficiência Visual (CPODV), sediado na USP. A coordenadora Maria Célia Lima Hernandes, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP), informou que o trabalho será criar estratégias para ampliar o acesso de pessoas com deficiência visual a espaços e produções culturais, utilizando recursos como audiodescrição, materiais táteis e tecnologias assistivas.
Investimento e modelo de financiamento
Durante a cerimônia, o presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, afirmou que, com os Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) e outros programas, a fundação deixou de ser apenas uma agência que apoia cientistas individualmente para integrar ações governamentais. Ele destacou que, atualmente, existem 83 CCDs em operação, com investimento total superior a R$ 570 milhões. Zago explicou que a pandemia provocou uma queda na submissão de projetos, que só voltou a subir em 2022, gerando um acúmulo de recursos aplicados na criação dos centros. Ele também anunciou que será lançado um novo edital para ampliar a estratégia de pesquisa orientada por demandas públicas.
Os CCDs operam em modelo de cofinanciamento: para cada R$ 1 solicitado à FAPESP, as entidades parceiras aportam o mesmo valor. O financiamento tem prazo de até cinco anos.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan, disse que 18 secretarias participaram direta ou indiretamente do último edital. Ele ressaltou que a Secretaria da Pessoa com Deficiência é a que mais utiliza a infraestrutura de ciência e tecnologia, contando atualmente com oito CCDs. O secretário Marcos da Costa afirmou que o objetivo final desses centros é garantir suporte para a autonomia das pessoas com deficiência, oferecendo soluções reais para os gargalos enfrentados pelo governo no atendimento a essa população.
Também participaram da cerimônia Ana Beatriz Oliveira, reitora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); Raiane Assumpção, reitora da Unifesp; Aluísio Segurado, reitor da USP; Ignácio Poveda, da SEDPcD; Odilon José Roble, diretor da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (FEF-Unicamp); e Dácio Roberto Matheus, reitor da Universidade Federal do ABC (UFABC).
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