Os preços da indústria brasileira iniciaram o segundo trimestre com forte aceleração. O Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado nesta quarta-feira (29) pelo IBGE, apontou avanço de 2,37% em março sobre fevereiro, quando o indicador havia registrado queda de 0,16%. O resultado foi puxado sobretudo pelo salto de 18,65% na indústria extrativa, a maior alta para o setor desde fevereiro de 2021.
Apenas a extrativa respondeu por 0,81 ponto percentual dos 2,37% de avanço total da indústria nacional. De acordo com Murilo Alvim, gerente do IPP, o cenário internacional explica grande parte do movimento. As tensões geopolíticas no Oriente Médio, intensificadas durante março, afetaram a oferta global de petróleo, especialmente com restrições de navegação no Estreito de Ormuz. Os óleos brutos de petróleo lideraram a alta, seguidos pelo minério de ferro e seus concentrados, também alinhados ao mercado externo. Entre os produtos da extrativa, apenas o gás natural, liquefeito ou gasoso, teve queda de preços.
O reflexo da cadeia do petróleo chegou ao refino. O setor de petróleo e biocombustíveis avançou 4,24% em março, a maior alta desde setembro de 2023, puxada pelo diesel e pelos óleos combustíveis. A demanda menor pelo álcool, porém, conteve parte do resultado.
Outros destaques de alta em março foram outros produtos químicos (5,03%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (2,50%). Ao todo, 18 dos 24 setores analisados pelo IBGE tiveram preços em elevação.
O setor de alimentos registrou alta de 1,90% em março, interrompendo uma sequência de dez resultados negativos consecutivos. Foi o maior avanço desde novembro de 2024. Segundo Alvim, o movimento foi puxado principalmente pelos laticínios, cujo grupo econômico subiu 9,66% no mês diante da menor oferta de leite in natura e custos de produção ainda elevados. Carnes e açúcares também contribuíram.
Com o resultado de março, o IPP acumula alta de 2,53% no ano, aceleração expressiva frente aos 0,15% registrados em fevereiro. É o terceiro mês seguido de patamar positivo. No acumulado em 12 meses, no entanto, os preços industriais ainda recuam 1,54%, embora essa seja a menor queda desde setembro de 2025, quando a variação negativa foi de 0,39%. Em fevereiro, a queda acumulada em 12 meses era de 4,39%.
Por categorias econômicas, março registrou avanço nos bens intermediários (3,75%) e nos bens de consumo (0,95%), e queda nos bens de capital (-0,18%). Dentro dos bens de consumo, os semiduráveis e não duráveis subiram 1,19%, enquanto os duráveis caíram 0,24%. Os bens intermediários foram a principal influência no resultado geral, contribuindo com 2,02 p.p. do avanço total de 2,37%.
O IPP mede a variação média dos preços de venda recebidos por produtores domésticos na porta da fábrica, sem impostos e fretes. A pesquisa coleta cerca de 6 mil preços mensalmente em pouco mais de 2.100 empresas. A próxima divulgação, referente a abril, está prevista para 28 de maio.
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