A participação da dupla composta pelos chefs Rafael Bruno (MA) e João Vieira (RJ) na final nacional do ICC Brasil, realizada no Rio Othon Palace (RJ), foi marcada por um profundo respeito às bases clássicas francesas e um ousado olhar artístico sobre o serviço de buffet.
Após horas de criação das receitas em laboratório, a dupla surpreendeu na apresentação final, ao trocar tradicionais pratos e louças pela mesa com toalha em branco, onde literalmente pintaram sua obra de arte ao vivo.
Eles ficaram em segundo lugar, após uma acirrada competição com a dupla vencedora que é de Santa Catarina. Para o chef maranhense Rafael Bruno, a conquista do segundo lugar teve sabor de ouro. O chef afirmou que aquela foi uma disputa entre quem acertou mais frente à grande pressão imposta aos concorrentes. Ele destacou que grandes profissionais participaram da final e que subir ao pódio em segundo lugar em uma competição internacional daquele nível é uma conquista que carregam com muito orgulho. O chef classificou a disputa como linda, muito técnica e extremamente acirrada. Rafael Bruno é o primeiro maranhense a chegar tão longe nessa prova, considerada a “Copa do Mundo dos Chefs”.
Rafael Bruno destacou a riqueza de participar de uma prova exigente e de alto nível como a final nacional do ICC. Segundo ele, cada minuto das dez horas de produção no laboratório e a tensão da finalização dos pratos no segundo dia foram experiências incríveis que os fizeram crescer como profissionais. O chef parabenizou a dupla vencedora, Julia e Gabriel, pelo merecido primeiro lugar e disse que foi um prazer dividir a cozinha com eles nessa caminhada rumo a Lyon. Ele também agradeceu ao sócio e parceiro Marcelo Rios pelo apoio que lhe permitiu chegar até ali, e a toda a organização e produção impecável do ICC. O maranhense declarou que saíram dessa experiência muito maiores do que entraram, e com a certeza de que estão no caminho certo.
Criatividade nas receitas: uma dualidade de texturas e temperaturas
O prato de entrada da dupla formada por Rafael Bruno e João Vieira foi intitulado “Duo do Mar”, concebido como um estudo de contrastes. A história dessa criação iniciou-se no laboratório com dez horas de produção, onde a dupla buscou equilibrar o frescor de elementos frios com a suntuosidade de preparos quentes.
A primeira face apresentou a delicadeza de um éclair salgado recheado com chantilly de tamboril e gravlax, repousando sobre um espelho vibrante de repolho roxo. Em contraponto, a faceta quente trouxe um royale de peixe envolto em espinafre, acompanhado de um falso ravióli de camarão e vieira e a leveza de uma espuma de molho holandês sifonada.
O prato principal foi o filé mignon suíno à Wellington. Para ele, a dupla revisitou o icônico Wellington de suíno. A técnica clássica da massa folhada invertida artesanal serviu como moldura para uma construção complexa: mignon suíno rosado, mousse de barriga de porco caramelizada e uma duxelles de cogumelos com figos. A suntuosidade do prato foi elevada pelo molho Albuféra ao foie gras, garantindo uma experiência de sabor e texturas envolventes.
A apresentação: o buffet como tela
O grande diferencial da dupla formada por Rafael e João, e que arrebatou os jurados, foi a apresentação do buffet no formato de arte à mesa (Art on Table). Rompendo com o serviço tradicional de louças, os chefs utilizaram a própria toalha branca da mesa como uma tela de arte abstrata, na qual expuseram as receitas como obras de arte.
O Wellington ocupou o centro da composição, enquanto os elementos das entradas foram espalhados de forma dinâmica e fluida. Pinceladas de géis, gotas de molhos e a disposição geométrica dos vegetais transformaram o alimento em uma verdadeira instalação artística.
Essa abordagem não apenas cumpriu as exigências técnicas da competição, mas celebrou a gastronomia como uma forma de expressão plástica e sensorial.
A dupla de chefs Rafael Bruno (MA) e João Vieira (RJ) fez uma jornada impressionante na prova, que mesclou arte e técnica, desde a produção das receitas em laboratório até a sua apresentação final. Merecidamente, levou o segundo lugar no pódio nacional, após uma disputa ponto a ponto com a dupla vencedora, formada pelos chefs Julia Xavier e Gabriel Dutra, de Santa Catarina. Eles vão representar o Brasil na final internacional do ICC em Lyon (França) em 2027.
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