Pesquisa da Fecomércio-MA aponta alta de 24% na comparação com julho de 2025; cartão de crédito responde por 82% dos débitos
O porcentual de famílias endividadas na capital maranhense chegou a 86% em julho de 2026, o maior patamar desde junho de 2021, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O índice representa uma variação de 24% em relação a julho de 2025, quando 69,3% dos lares da cidade tinham compromissos financeiros. Em janeiro deste ano, o percentual já havia registrado 73,9%. O avanço coloca o endividamento próximo ao nível crítico observado durante a crise sanitária, quando o acumulado atingiu 91,1% em março de 2021.
Apesar da expansão expressiva no número de famílias com dívidas, os indicadores de inadimplência não acompanharam o mesmo ritmo de crescimento. Em julho, 28,4% das famílias relataram ter contas em atraso, porcentual bem inferior aos 47,9% registrados no auge da pandemia. A parcela de consumidores que afirmou não ter condições de quitar os débitos atuais ficou em 4,9%, distante dos 9,1% observados em março de 2021. Na comparação com julho do ano passado, a inadimplência geral subiu 4%, ritmo consideravelmente menor que a alta de 24% no endividamento total.
A pesquisa aponta fatores macroeconômicos locais como vetores para o cenário. Em São Luís, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,87% em julho, acima da média nacional de 4,44%. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram ainda que a informalidade no Maranhão alcançou 57,6% da população ocupada, a maior taxa entre os estados brasileiros.
O cartão de crédito segue como a principal modalidade de dívida, utilizado por 82% das famílias endividadas. Em média, os compromissos financeiros consomem 29,5% da renda mensal dos lares.
Mesmo com o orçamento apertado e a elevação dos juros do crédito, o comércio varejista do Maranhão mantém desempenho positivo. O movimento sugere que o aumento do endividamento está diretamente relacionado à manutenção do consumo local, ainda que financiado por parcelamentos e linhas de crédito mais caras.
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