A Defensoria Pública do Maranhão detectou, ainda em julho de 2025, um conjunto de irregularidades na contratação da empresa que opera a UTI pediátrica do Hospital da Criança, em São Luís. Os alertas, feitos na época pelo Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente, antecipam os problemas que hoje são alvo de apuração por diferentes órgãos de controle e do Ministério Público.
Segundo o defensor público Davi Rafael Silva Veras, titular do núcleo, as falhas apontadas na análise documental do certame incluíam três pontos centrais: o número insuficiente de profissionais para atender a demanda da unidade, a previsão de que médicos sem especialização em pediatria poderiam ser alocados no setor e a existência de apenas um coordenador técnico para toda a UTI. O defensor afirmou, ainda, que a empresa vencedora da licitação não dispunha de equipe própria e tentou reter os médicos que já atuavam no hospital, o que, na avaliação da Defensoria, comprometia a continuidade e a qualidade do atendimento.
Além dessas constatações estruturais, Veras revelou que a instituição recebeu denúncias preliminares sobre possíveis erros na administração de medicamentos a crianças internadas. A informação, ainda em fase de verificação, depende da análise detalhada dos prontuários médicos para que se possa individualizar cada ocorrência e atribuir responsabilidades a gestores ou profissionais de saúde. O defensor ressaltou que esse é o passo seguinte nas investigações e que nenhuma acusação formal será feita sem a devida comprovação documental.
Diante da gravidade das informações, Davi Veras advertiu que uma intervenção judicial no Hospital da Criança, seja por parte do governo estadual ou da esfera federal, não está descartada. A medida, segundo ele, seria adotada caso as falhas graves apontadas não sejam sanadas imediatamente pela administração e pela empresa contratada. A Defensoria aguarda, neste momento, o posicionamento oficial da Secretaria de Estado da Saúde e da concessionária responsável pela UTI pediátrica sobre as providências tomadas desde os alertas de 2025.
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