A produção industrial brasileira iniciou 2026 no azul, mas sem conseguir apagar completamente o tombo registrado nos últimos meses do ano passado. Segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgados nesta sexta-feira (6) pelo IBGE, o setor avançou 1,8% na passagem de dezembro para janeiro. O crescimento é o mais intenso desde junho de 2024 (4,4%) e interrompe uma sequência de taxas negativas, puxado principalmente pela recuperação dos setores químico e automotivo.
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Apesar do alívio, o resultado positivo de janeiro foi insuficiente para reverter integralmente o tombo acumulado no quarto trimestre. Entre setembro e dezembro do ano passado, a indústria havia recuado 2,5%, com destaque para a queda de 1,9% em dezembro – a mais forte desde março de 2021. Com o avanço de 1,8% no primeiro mês de 2026, o saldo do período ainda é negativo em 0,8%.
“O crescimento de 1,8% em janeiro pode ser parcialmente explicado pela queda mais intensa de dezembro”, explicou André Macedo, gerente da pesquisa. Segundo ele, o último mês de 2025 foi marcado não apenas pelo menor dinamismo do setor, mas também por uma maior frequência de férias coletivas. “Com a retomada das atividades produtivas no início do ano, ocorre uma recuperação de parte dessa perda.”
Macedo pondera, no entanto, que o cenário ainda é desafiador. Ele lembra que permanecem os efeitos da política monetária restritiva, refletidos nas taxas de juros elevadas, que seguem limitando o fôlego da indústria. “O avanço registrado em janeiro é relevante, mas ainda não é suficiente para compensar integralmente a perda acumulada no final do ano passado.”
Na comparação com janeiro de 2025, a indústria avançou 0,2%, interrompendo três meses consecutivos de quedas nessa base de comparação. A média móvel trimestral, que suaviza oscilações pontuais, ficou em -0,1% no período, ainda no campo negativo.
Com os resultados, o parque industrial opera 1,8% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020). O nível recorde da série, no entanto, permanece distante: a produção atual é 15,3% inferior ao pico alcançado em maio de 2011.
Difusão positiva
O bom desempenho de janeiro teve caráter generalizado. As quatro grandes categorias econômicas registraram crescimento, algo que não ocorria desde junho de 2024. No mesmo mês do ano passado, 23 das 25 atividades pesquisadas haviam avançado. Agora, 19 segmentos mostraram expansão.
O setor de produtos químicos foi o principal motor da alta, com crescimento de 6,2%. Segundo o IBGE, o resultado foi impulsionado por itens ligados ao agronegócio, como adubos, fertilizantes, herbicidas e fungicidas.
Na sequência, aparecem os avanços de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,3%), com destaque para caminhões e autopeças, e o setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,0%).
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