Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) traça um retrato complexo do setor cultural brasileiro entre 2013 e 2023. Os dados do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) mostram um aumento no número de empresas, mas uma perda significativa de participação na riqueza gerada pela economia nacional.
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No período de dez anos, a fatia das empresas culturais no total nacional subiu de 8,0% para 8,6%. Contudo, indicadores econômicos essenciais recuaram: a receita líquida do setor caiu de 7,7% para 5,6% do total nacional, e o valor adicionado (uma medida da riqueza gerada) encolheu de 10,5% para 8,3%.
A análise estrutural feita pelo coordenador do estudo, Leonardo Athias, revela uma profunda transformação. Setores ligados à internet, software e publicidade ganharam relevância, enquanto atividades tradicionais com grande peso econômico, como televisão aberta, TV por assinatura, editoras e telecomunicações, perderam espaço. Um exemplo marcante é o dos portais e provedores de conteúdo na internet, que viram sua participação no valor adicionado saltar de 0,6% para 3,7% na década.
Salários altos e informalidade
O estudo aponta uma contradição no mercado de trabalho do setor. Por um lado, as empresas formais do segmento cultural pagam salários médios 31,5% superiores à média nacional, com uma remuneração média de R$ 4.658 em 2022. Em 2023, o setor gerou um valor adicionado de R$ 387,9 bilhões para a economia.
Por outro lado, a análise dos ocupados (que inclui trabalhadores formais, informais e autônomos) mostra um cenário diferente. Apesar de ter um nível de escolaridade mais alto que a média nacional, o setor cultural apresenta maior informalidade (44,6% contra 40,6% no total da economia) e uma concentração maior de trabalhadores por conta própria. Além disso, a renda média desses ocupados sofreu uma retração real de 2% entre 2023 e 2024, ficando em R$ 3.266, enquanto a média geral da economia cresceu 3,5% no mesmo período.
Microempreendedores e preços
Pela primeira vez, o SIIC mapeou os Microempreendedores Individuais (MEI) na cultura. Em 2022, 9,5% do total de MEIs no país, ou 1,4 milhão, atuavam no setor, com forte presença em design e serviços criativos.
Outro dado relevante é a evolução dos preços. O Índice de Preços da Cultura (IPCult) tem apresentado inflação sistematicamente menor que o IPCA geral. Em 2024, o IPCult subiu 2,8%, contra 4,8% do IPCA. A tendência se mantém desde o início da série, em 2020, indicando que os bens e serviços culturais ficaram relativamente mais baratos nos últimos anos.
A publicação do IBGE consolida diversas fontes de dados e utiliza uma classificação da Unesco para definir as atividades culturais, separando-as entre domínios centrais (como audiovisual e música) e periféricos (como equipamentos e telecomunicações).
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