A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada para a Série Ouro do carnaval carioca após encerrar a apuração deste ano na última colocação do Grupo Especial. A agremiação, que levou para a avenida o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), somou 264.6 pontos, a menor nota entre as escolas que desfilaram.
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A diferença para a campeã Viradouro, que totalizou 270 pontos, foi de 5.4 pontos. A Mocidade, escola que ficou imediatamente à frente da Acadêmicos de Niterói na classificação final, terminou a apuração com 267.4 pontos, três pontos a mais que a agremiação rebaixada.
O samba-enredo apresentado pela escola trouxe referências diretas à trajetória do presidente e ao universo do Partido dos Trabalhadores. A letra reproduziu o grito de guerra comumente entoado pela militância (“Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”) e fez menção, em duas passagens, ao número de urna do partido. A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, e o filme Ainda Estou Aqui também foram citados na composição.
Na narrativa do samba, a figura de Eurídice Ferreira de Mello, mãe do presidente, descreve a viagem de “13 noites e 13 dias” com a família em um caminhão “pau-de-arara” entre Garanhuns (PE) e a periferia de Guarujá (SP), em alusão à trajetória migratória de Lula. O ator e humorista Paulo Vieira foi o responsável por interpretar o presidente no desfile.
O público e as autoridades presentes no sambódromo acompanharam a apresentação. O presidente Lula assistiu ao desfile em sua homenagem do camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro e chegou a descer para a avenida. A primeira-dama Janja, que era aguardada no último carro alegórico da agremiação, não desfilou. O lugar foi ocupado pela cantora Fafá de Belém.
Além da homenagem ao atual presidente, a escola também incluiu em suas alegorias uma referência crítica ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A figura de um palhaço na prisão, com feição triste e espantada, foi exibida em um dos carros. O personagem vestia trajes listrados, tradicionalmente usados para representar presidiários na dramaturgia, e utilizava uma tornozeleira eletrônica com sinais de violação. O adereço faz alusão ao episódio de novembro do ano passado que levou à revogação da prisão domiciliar do ex-presidente.
