O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na liderança das intenções de voto para as eleições presidenciais de 2026, mas enfrenta uma disputa ainda fechada com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato que concentrou o apoio do campo bolsonarista após a inelegibilidade do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os dados são da terceira rodada da pesquisa BTG Pactual/Nexus, realizada entre os dias 22 e 24 de maio com 2.045 eleitores em todo o país, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Na pergunta espontânea, sem a apresentação de nomes, Lula recebeu 36% das intenções de voto, contra 26% de Flávio Bolsonaro. Os demais nomes citados não ultrapassaram 2%. Outros 26% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder, o que revela um eleitorado ainda em fase de formação de preferências.
Quando os entrevistadores apresentam uma lista de candidatos ao eleitor, o cenário se torna mais nítido, mas não menos disputado. No chamado Cenário 1, Lula aparece com 40% das intenções, e Flávio Bolsonaro com 35%. Os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) aparecem com 5% e 4%, respectivamente. O apresentador Renan Santos, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), soma 3%.
Em simulação de segundo turno entre os dois principais candidatos, Lula vence com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro, com margem de apenas quatro pontos percentuais, dentro da margem de erro da pesquisa. Os números são praticamente estáveis em relação às rodadas anteriores, realizadas em março e abril deste ano, o que indica um quadro de empate técnico consolidado no confronto direto entre os dois.
A solidez das intenções de voto é outro dado que chama atenção. Entre os eleitores que já escolheram um candidato no primeiro turno, 70% afirmam que a decisão está tomada e não vai mais mudar. O percentual é ainda mais elevado entre os eleitores de Lula: 81% deles dizem que não pretendem mudar o voto. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, esse índice é de 71%.
A estrutura da polarização política brasileira permanece praticamente inalterada nas três rodadas da pesquisa. Os bolsonaristas convictos representam 28% do eleitorado, e os lulistas convictos somam 27%. Os não polarizados, que não se identificam com nenhum dos dois campos, são 26%. Um grupo menor, de 8%, se declara ao mesmo tempo anti-Lula e anti-Bolsonaro, sinalizando um espaço para candidaturas de terceira via que, até o momento, não se consolidou nas pesquisas.
Esse potencial para uma terceira opção aparece na pergunta sobre preferência para presidente. Quando questionados sobre quem deveria ser eleito, 39% indicaram Lula, 34% responderam Flávio Bolsonaro ou algum candidato indicado por Jair Bolsonaro, e 18% disseram preferir alguém que não fosse apoiado nem por Lula nem por Jair Bolsonaro. Contudo, os próprios eleitores que declaram querer uma terceira via não encontraram um nome para traduzir essa preferência em voto: na simulação de primeiro turno, 54% deles indicaram candidatos que não são Lula nem Flávio Bolsonaro, mas dispersos em diversas siglas.
A pesquisa também investigou o impacto de dois episódios recentes envolvendo Flávio Bolsonaro: a divulgação de um áudio de conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal, em que os dois discutem o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro no valor de R$ 134 milhões; e uma visita do senador ao apartamento de Vorcaro durante o período em que o empresário cumpria prisão domiciliar. Oito em cada dez eleitores (86%) tiveram conhecimento de ao menos um dos dois episódios. Apesar da ampla repercussão, os dados indicam que as revelações tiveram impacto limitado sobre as intenções de voto. Entre os eleitores que já declaravam apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno e que souberam dos casos, 89% afirmam que já votavam no senador antes das notícias e mantiveram a decisão.
O governo Lula apresenta avaliação praticamente dividida ao meio. A aprovação é de 47% e a desaprovação, de 48%. Quando o eleitor é solicitado a classificar o governo em uma escala de ótimo a péssimo, 37% dizem ótimo ou bom, 22% classificam como regular e 40% como ruim ou péssimo. Entre quem aprova o governo, 80% declaram intenção de votar em Lula no primeiro turno, enquanto 65% dos que desaprovam dizem votar em Flávio Bolsonaro.
No campo econômico, 48% dos entrevistados avaliam a economia nacional como ruim ou péssima, enquanto 18% dizem que está ótima ou boa. Em relação ao governo anterior, que terminou em dezembro de 2022, 42% acham que a economia piorou, 40% dizem que ficou igual e apenas 14% entendem que melhorou. A perspectiva sobre os próximos seis meses é de cautela: 29% esperam que a economia nacional melhore, 25% acreditam que vai piorar e 39% acham que vai ficar igual.
A pesquisa também abordou temas de agenda pública. Sobre a extinção da chamada “taxa das blusinhas” (o imposto federal sobre compras em sites estrangeiros como Shopee, Shein e AliExpress), 73% dos eleitores aprovaram a medida do governo. Entre quem já fez compras em plataformas internacionais nos últimos 12 meses, a aprovação chega a 79%.
No tema do endividamento, 25% dos entrevistados afirmaram ter dívidas em atraso há mais de 30 dias. Outros 36% têm compromissos financeiros em dia, e 38% dizem não ter dívidas. O programa Desenrola 2.0, anunciado pelo governo federal no início de maio como mecanismo de renegociação de dívidas, era conhecido por 73% dos entrevistados. Entre os que têm dívidas, 30% disseram que pretendem usar o programa para renegociação, enquanto 58% afirmaram que não pretendem.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04193/2026 e foi realizada por telefone, pelo método CATI, com cobertura nas 27 unidades da federação.
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