A Polícia Civil do Maranhão investiga se um adolescente de 16 anos, apreendido sob suspeita de matar a facadas a estudante Bruna Loiola, de 17 anos, no povoado Cana Brava, em Água Doce do Maranhão, planejava um ataque a uma escola da região. Durante a apreensão, foram encontrados na mochila do suspeito uma faca, uma dinamite caseira, dardos, coquetel molotov e uma suposta bomba. O material, segundo a polícia, já está em análise pericial.
O crime ocorreu na última semana, quando Bruna Loiola foi liberada mais cedo do Centro de Ensino Vereadora Neide Costa, escola da rede estadual onde estudava, para almoçar em casa. Durante o trajeto, ela teria encontrado o adolescente, que estava com uma mochila. De acordo com a Polícia Militar, os dois discutiram na rua, e a jovem foi atacada com 21 golpes de faca. Familiares da vítima, no entanto, negam que tenha havido uma discussão prévia.
O adolescente foi apreendido logo após o crime e autuado em flagrante por ato infracional análogo a feminicídio consumado e posse de artefato explosivo ou incendiário sem autorização legal. Ele foi encaminhado para Barreirinhas e aguarda transferência para São Luís. A Polícia Civil já representou pela internação provisória, medida que será avaliada pela Justiça com base no Estatuto da Criança e do Adolescente.
As investigações ganharam novos desdobramentos com o depoimento de uma professora da escola, que pediu para não ser identificada. Ela relatou que o adolescente apresentava comportamentos considerados preocupantes muito antes do crime. Segundo ela, o caderno do estudante continha desenhos de símbolos nazistas, suásticas, imagens de bombas e outras referências associadas ao extremismo.
“O caderno dele era cheio de, nas matérias, na capa, contracapa, de desenho dos nazistas. Ele se declarava para os colegas e os colegas confessavam em off para nós professores, para a diretora. E a gente comentava com os colegas e fomos percebendo que aquilo não era normal de um aluno, de um adolescente”, afirmou a professora em entrevista à TV Mirante.
O delegado Thiago Castro, responsável pela investigação, confirmou que um dos cadernos foi apreendido e que o conteúdo está sendo periciado. “O caderno continha diversas anotações de discurso de ódio. Imagens, desenhos de bombas, referências a suástica, que é o símbolo do nazismo, dentre outras informações graves que a gente considera”, disse.
Além dos materiais encontrados no caderno, a polícia analisa os objetos apreendidos na mochila do adolescente. Segundo o delegado, o suspeito afirmou que os artefatos seriam de fabricação caseira e que aprendeu a produzi-los pela internet. A suspeita de que ele planejava um ataque a uma escola do povoado surgiu a partir desses itens e de declarações feitas pelo próprio adolescente aos policiais militares no momento da apreensão.
“Essa questão do ataque é um indício, que ele planejava um ataque na escola próximo ao local onde aconteceram os fatos, em razão de ele estar com esse material, na mochila, e ele ter relatado para os policiais militares quando ele foi apreendido em flagrante, após esfaquear a menina. Ele relatou para os policiais militares que realmente planejava um ataque nessa escola por ter sofrido bullying”, afirmou o delegado.
A polícia segue ouvindo familiares, professores e funcionários da escola para reconstituir o histórico do adolescente e reunir novos elementos que possam esclarecer a motivação do crime e as circunstâncias que envolveram a morte de Bruna Loiola. As investigações continuam em andamento.
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